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Quero ser grande Julia Meryl

26.11.09

por Daniel Oliveira

Julie & Julia

(EUA, 2009)

Dir.: Nora Ephron
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond, Mary-Lynn Rajskub, Jane Lynch, Helen Carey

Princípio Ativo:
Streep & Adams

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Poucos dias atrás, escrevi sobre a história surreal, filmada de forma realista, de um homem perdido que muda sua vida inspirado por um jogador de futebol. Se ela tem muita testosterona e é muito sujinha pro seu gosto, aqui está “Julie & Julia”: a história real, filmada de forma hollywoodiana, da mulher perdida que mudou sua vida inspirada por uma cozinheira.

Julie Powell (Adams) é a funcionária pública nova-iorquina que lançou um blog (que virou livro) onde documentou seu projeto de cozinhar 524 receitas em um ano. A autora dessas receitas é Julia Child (Streep), norte-americana que foi morar em Paris no pós-guerra e lançou um dos maiores livros em inglês sobre a culinária francesa.

O longa de Nora Ephron começa muito bem, transbordando estrogênio e se juntando ao séquito dos “filmes que dão fome” nas cenas em que o ótimo elenco celebra as duas melhores coisas da vida: comer e foder. Quando chega a lengalenga da segunda metade, porém, tudo parece uma masturbação culinária que se arrasta até um final que a própria existência do filme torna óbvio.

Quem compensa pelas falhas do roteiro irregular são Meryl Streep e Amy Adams. E como Streep está um degrau acima dos meros mortais, a história dela sai melhor na fita. A atriz eleva momentos banais, como a notícia da gravidez da irmã de Julia, ao nível do sublime - sem contar a impressão vocal e o sotaque perfeitos, sua marca registrada.

Adams não faz feio e sua simpatia inata é fundamental para que Julie não se torne uma chata/neurótica/egocêntrica (o que ela é). Mas sua parte é prejudicada pelo rótulo de “primeiro filme adaptado de um blog”. Ele faz com que várias cenas de Powell sejam acompanhadas de um off extraído do site, que repete exatamente o que é visto na tela e aparentemente quer ressaltar o humor, mas acaba por diluí-lo.

Some-se, por fim, o espaço exagerado para as co-autoras do livro de Child, em cenas descartáveis e insuportáveis para o público masculino. Com as mulheres, no entanto, “Julie & Julia” deve ser sucesso garantido. Seja pela direção de arte e figurinos delicadamente impecáveis, com destaque para os móveis em miniatura feitos para que Streep aparente a altura de Child. Seja pelo retrato de casais felizes e estáveis, em que os homens (ainda que rasos, no papel de namorados) são compreensíveis e apoiadores – nem todo filme pra mulher tem que ser comédia romântica.

Ironicamente, é essa ‘maturidade’ que priva o longa de certo conflito. Para o bem e para o mal, “Julie & Julia” prova que um filme sobre a criação de um blog (e um livro) eventualmente se torna chato. Como assistir a alguém cozinhando.

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É o que eu quero ser quando crescer!

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