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“Por minha alma insubjugável agradeço”

01.02.10

por Renné França

Invictus

(EUA, 2009)

Dir.: Clint Eastwood
Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Adjoa Andoh, Zak Feuanati, Scott Eastwood

Princípio Ativo:
almas invenciveis

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O primeiro era filho de um pobre vendedor de livros e não conseguiu se formar por problemas de saúde e de dinheiro. O segundo foi advogado e lutador de boxe. Um teve a perna amputada aos 16 anos. O outro passou 27 em uma cela mínima. Um se tornou um importante jornalista e poeta do século XIX. O outro foi presidente e uma das mais notáveis figuras do século XX.

O primeiro é William Henley . O segundo, Nelson Mandela. O que eles possuem em comum? Um poema. Escrito por Henley, “Invictus” inspirou Mandela e agora batiza uma poderosa narrativa de luta que reflete as adversidades passadas pelos dois homens, separados por mais de cem anos no tempo. E o mais extraordinário: é uma história sobre esporte.

Nos anos 90, logo após ser eleito presidente da África do Sul, Mandela (Freeman) precisa lidar com o ódio entre brancos e negros com o fim do Apartheid. Para unir a nação, ele faz uso da Copa do Mundo de Rúgbi e usa sua seleção como elemento agregador do país dividido. Com o objetivo de derrotar um monstruoso jogador neozelandês, o time sul-africano precisa se unir. Só assim, em conjunto, é possível derrubá-lo.

Usar a violência do esporte como representação da luta contra o racismo é mais do que óbvio, mas Clint Eastwood faz isso em “Invictus” com a competência habitual. A coletividade da seleção de rúgbi é a metáfora dos esforços que os sul-africanos precisam fazer: se unir para derrotar o mal que dividiu o país por tantos anos.

Eastwood possui uma elegância e sensibilidade que poucos diretores teriam para tratar um tema tão espinhoso como o racismo. O filme joga com as emoções do espectador, manipulando com maestria nossos sentimentos e usando com habilidade as bem editadas sequências de rúgbi. Apesar de em alguns momentos criar um suspense exagerado envolvendo possíveis atentados contra o presidente e abusar dos clichês do gênero, “Invictus” trata com carinho seus personagens e usa uma inspirada fotografia que contrapõe claro e escuro em uma interessante, ainda que óbvia, metáfora visual para seu tema.

Morgan Freeman faz um Mandela perfeito, em uma daquelas interpretações definitivas, da voz até o movimento dos olhos e lábios. Matt Damon encarna o capitão do time, aliado e representante do presidente dentro do campo. Enquanto um luta politicamente para erguer seu país, o outro briga nos gramados.

O poder da história reside, porém, na sua realidade. É em cenas como a visita à cela de Mandela ou no inacreditável jogo final que percebemos que, muitas vezes, a vida real é mais fantástica do que a maior das fantasias cinematográficas.

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Que vença o melhor. No Oscar, bitch.

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