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Pesadelos de uma noite de lua cheia

09.02.10

por Filipe Isensee

O Lobisomem

(The wolfman, EUA / Reino Unido, 2010)

Dir.: Joe Johnston
Elenco: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Geraldine Chaplin

Princípio Ativo:
Shakespeare

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Quando criança, Lawrence Talbot (Del Toro) viu a mãe morta nos braços do pai. Após o episódio, viveu exilado e distante da família até se tornar ator, encenando tragédias de Shakespeare. Só voltaria a sua cidade natal, Blackmoor, interrompendo uma temporada de Hamlet, quando da morte misteriosa do irmão.

Ser ou não ser.

A volta do personagem é também o começo de uma mudança irreversível: a transformação do homem em lobo. Na tentativa de desvendar o que aconteceu, ele acaba sendo mordido por um lobisomem e, respeitando a lenda, transforma-se no animal a cada noite de lua cheia.

Onde começa um e termina o outro?

Eis aí a verdadeira questão. Ser lobisomem não é fácil. Jack Nicholson que o diga: o ator protagonizou uma versão dirigida por Mike Nichols que foi um raro fracasso em sua carreira. O caso aqui é outro. Com direção de Joe Johnston, ganhador de um Oscar pelos efeitos especiais de “Indiana Jones e a Arca Perdida”, o filme é um remake do clássico homônimo de 1941. Em sua versão 2010, o conto de horror se beneficia de uma cuidadosa direção de arte que ajuda a compor a atmosfera de suspense e medo que conduz toda a narrativa. Danny Elfman, habitual colaborador de Tim Burton, comprova mais uma vez sua habilidade em trilhas sombrias, de inspiração gótica. Os efeitos visuais, por sua vez, ajudam a contar a história de maneira eficiente sem ofuscar o enredo.

Na onda de morte provocada pela “besta”, não faltam mutilações e sangue. Nada que se compare ao que Mel Gibson fez com Jesus e com o povo maia, ou ao que se vê em albergues e jogos mortais por aí. Mas, sim, there will be blood.

A história, de tom trágico e violento, ainda se sai bem nos momentos de riso nervoso típicos do humor inglês. O grande diferencial, contudo, é o trabalho dos atores, que proporciona os embates dignos da inspiração shakespereana do roteiro. Até Anthony Hopkins, de quem eu vinha deixando de gostar, é uma grata surpresa como o patriarca Sir John Talbot.

Benicio Del Toro, também produtor do longa, é um caso a parte. Um dos poucos atores do mundo a conquistar prêmios nos festivais de Cannes, Berlim e Veneza, além do Oscar de coadjuvante por “Traffic”, ele continua a se arriscar em papéis onde muitos teriam fraquejado. Emily Blunt aproveita cada minuto de seu tempo em cena que, aliás, não é muito. A atriz inglesa interpreta Gwen Conliffe, cunhada de Lawrence, com quem inicia um meio romance. Mas o próprio filme não dá muito espaço para a criação de uma subtrama de amor. Ainda bem.

Mais pílulas:
- X Men Origens: Wolverine
- O coronel e o lobisomem
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Moça. Já gritando antes do dentista mexer.

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