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14.05.10

por Renné França

Robin Hood

(EUA/Reino Unido, 2010)

Dir.: Ridley Scott
Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Mark Strong, Max Von Sydow, William Hurt, Oscar Isaac, Danny Huston, Eileen Atkins, Kevin Durand

Princípio Ativo:
receita begins de reinvenção

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Até o Patolino já foi Robin Hood. No cinema, de Errol Flynn a Kevin Costner, o herói que rouba dos ricos para dar aos pobres ganhou as mais variadas versões, incluindo uma dirigida por Mel Brooks. O que fazer de diferente com um personagem tão conhecido? A resposta é a mesma de “Rei Arthur”, “Cassino Royale” e “Star Trek”: propor um novo olhar (em geral, mais realista e menos caricato) para velhos ícones.

Fazendo uma espécie de “Robin Hood Begins”, o diretor Ridley Scott desconstrói um mito, levantando outro em seu lugar. A abordagem é interessante e busca um viés mais realista à lenda do homem que lutou contra os poderosos da Inglaterra do século XIII. No mito original, o nobre arqueiro Robin de Loxley retorna das Cruzadas para encontrar sua terra desolada pela violência e pelos altos impostos do Rei John. Mas como um nobre poderia ser arqueiro, se na época esta divisão do exército inglês estava destinada aos soldados de classe social mais baixa?

O “Robin Hood” de Ridley Scott resolve esses (e outros) pormenores da lenda com um roteiro inventivo que inclui troca de identidade, conspirações políticas... e muita boa vontade do espectador. Sim, porque em determinados momentos o herói se transforma em exímio orador e líder amado sem que se explique de modo minimamente convincente as qualidades recém-adquiridas.

Russell Crowe faz um Robin menos alegre e falante do que suas versões anteriores, o que se encaixa bem nos propósitos do filme. Cate Blanchett é uma lady Marion menos indefesa e Max von Sydow e Willian Hurt são excelentes coadjuvantes de luxo. Por outro lado, os vilões de Mark Strong e Oscar Isaac estão além do caricato, e em nenhum momento compreendemos suas reais motivações.

Bebendo em fontes diversas da literatura clássica como “Beowulf”, “Ilíada”, “Odisséia”, “Noite de Reis”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, “O Conde de Monte Cristo” e a Bíblia, este novo “Robin Hood” apresenta um longuíssimo e surpreendentemente bem articulado primeiro ato que busca apresentar os personagens e suas funções na história. Mas de repente tudo se perde, e a emaranhada teia de personagens se desfaz de maneira decepcionante, culminando em uma batalha final que abusa de todos os clichês possíveis do gênero.

Entretanto, poucos diretores sabem compor um quadro tão bem como Ridley Scott e as cenas de ação filmadas com várias câmeras são impressionantes. As imagens são belíssimas e a história é envolvente e muito bem conduzida - até a metade da projeção. Com um final que não faz juz ao épico prometido até ali, “Robin Hood” só recupera sua grandiosidade na espetacular animação de seus créditos finais. Uma pena.

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