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Cinco em cinco

15.06.05

por Rodrigo Campanella

Batman begins

(Batman Begins – EUA/2005)

Dir.: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes

Princípio Ativo:
Miller-Nolan-Bale-Burton

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Um. Christopher Nolan não é um ‘grande gênio’ do cinema. Nem precisa. Quando a desgastada e maltratada franquia “Batman” bateu em sua porta em 2003, Nolan poderia ter se rendido aos aplausos da crítica (em Amnésia) e brincado de deus cinematográfico. Poderia até pintar o Homem-Morcego de azul e vermelho e questionar o sistema hollywoodiano. Poderia, mas não fez.
Acabou construindo um filmão que tem algo do próprio cinema clássico americano. Especialmente na primeira hora, Nolan aposta nos atores que tem e centra neles seu filme. O que era clichê vira um drama fascinante – e um novo marco zero é criado.

Dois. O universo da DC Comics se apóia em seus ícones-órfãos: Super-Homem x Batman. O homem-de-aço deu as costas à casa paterna e fez seu legado. O homem-morcego nunca deixou de olhar para trás - e virou um prato cheio para o quesito ‘herói em crise’.
Quando Nolan põe em foco Bruce Wayne, ele traz às telas o sentido de tudo de bom que se escreveu sobre o Batman nas últimas décadas. E Christian Bale usa o Begins para fazer valer a história de um herói em estado permanente de precipício.

Três. Namoro há três anos. Acompanhei as revistas do Batman por seis. Minha namorada sabia o que eu não ia admitir quando falei “Aquela fantasia ficou ridícula”.
- Mas um homem vestido de morcego no meio da rua é ridículo mesmo, ela disse.
- Não é isso. A roupa brilha demais. Bom que o filme aposta na ‘escuridão’: melhor ter medo do invisível do que daquela roupa. Mas e a voz? É forçada...
Ela me olhou contrariada.
- Mas é “Begins”! São os primeiros dias dele como Batman, é natural que ele nem saiba como parecer e agir ainda.
Pode até não ser, mas fez sentido demais.

Quatro. Esse deve ser o número de filmes que o roteirista David S. Goyer vê todo dia. O mesmo número que Christopher Nolan talvez tenha visto diariamente na infância. Goyer assinou Blade Trinity e era o único responsável pelo roteiro de Batman até chegar Nolan. Goyer deve assistir filme anotando: “Cinco minutos - personagem novo. Uma hora - começa a perseguição. Final – beijo na boca”. Nolan dá a sensação de que ama cinema e conseguiu fazer disso a sua vida. Batman agradece.

Cinco. É o quinto da franquia “Batman”, sem contar aquele extraído direto da série de TV, com Adam West e seu uniforme-barriguinha. Assim como Burton em seus Batmans conversava com a telessérie, Nolan não perde de vista o universo de Burton, no uniforme ou mesmo em sua nova Gotham. O clássico “Ano Um” de Frank Miller fica como uma espécie de rede de segurança, ao fundo, para o realismo de Nolan.
É bem capaz alguém ainda pintar o Morcegão de azul e vermelho e questionar o mainstream americano. Indispensável ter gente que faça isso – bem-feito. Tanto quanto ter Nolan dirigindo tão dignamente a saga de Bruce Wayne.

“Does it come in black?”

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