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As identidades Salt

30.07.10

por Daniel Oliveira

Salt

(EUA, 2010)

Dir.: Phillip Noyce
Com: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl, Hunt Block, Andre Braugher, Olek Kupra

Princípio Ativo:
Jolie kick-ass

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A gente chega em casa. Janta. Sai para comprar a lâmpada e trocar a que quebrou. Aproveita, leva um sabão em pó e um shampoo. Bota a roupa para lavar. Lembra daquela conta que vence hoje e sai correndo para pagar.

Enfim.

Faz parte da nossa “humanidade”. Mas é chato. Monótono. Sem graça.

É por isso que a gente vai ao cinema ver filmes como “Salt”. Porque quer ver histórias de espiões que são acusados de traição e saltam em caminhões, explodem igrejas, dão tiros e salvam o mundo. Não importa quão absurdas elas sejam.

E “Salt” é beeem absurdo. Como uma temporada inteira e condensada de “24 horas”. Testa os limites do ponteiro do absurdômetro a cada curva - naquela estrutura cebola em que, assim que termina uma missão que te deixou de sobrancelha em pé, começa outra mais bizarra ainda.

Se bem que... quer dizer, importa um pouco sim. Porque você pode me perguntar o que faz o filme de Angelina Jolie divertido, escapista e envolvente – e “Encontro explosivo” não. E minha resposta é: por mais ultrajante e por mais que a trama de “Salt” desafie seu bom senso em alguns momentos, no centro dela está uma protagonista em quem você acredita. Por quem você sente alguma coisa.

Sim, Evelyn Salt chuta um bando de marmanjos, realiza fugas espetaculares e é bem mais esperta que a maioria. Mas não é “A Fodona”. Ela apanha, machuca, sofre perdas. E se você se deixar levar pela atuação afiada de Jolie – o eixo emocional do longa (um conceito que “Encontro explosivo” desconhecia completamente) – vai sofrer com ela também. “Salt” não é o espetáculo circense de um trapezista com sérios problemas de exibicionismo. É um filme, com falhas, sobre uma mulher que vai ter que suar e levar muita porrada para provar quem ela é – e, o mais interessante, esse “quem” pode não ter uma resposta única durante toda a trama.

O longa está longe de ser impecável. A direção de Phillip Noyce e a edição de Stuart Baird, John Gilroy e Steven Kemper tentam emular o ritmo alucinante e a pulsação das sequências de ação da trilogia Bourne, mas não chegam aos pés em termos de estilo e qualidade. E algumas cenas, como quando a protagonista rouba uma moto em movimento ou desce o poço de um elevador de forma... peculiar, abusam da sua boa vontade – causando risadas e te “tirando de dentro do filme”.

Nada que Jolie usando sua calcinha para cobrir uma câmera, um absorvente como curativo ou distribuindo uma porrada federal não resolva. Um brinde às mulheres que chutam bundas – A Noiva, Hit Girl e agora Salt. Elas merecem.

Mais pílulas:
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No bolso: Jolie guarda um brinquedinho para experimentar com Pitt mais tarde.

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