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Aula espírita

02.09.10

por Renné França

Nosso Lar

(Brasil, 2010)

Dir.: Wagner de Assis
Elenco: Othon Bastos, Renato Prieto, Ana Rosa, Fernando Alves Pinto, Werner Schunemann, Rosane Mulholland, Fernando Alves Pinto

Princípio Ativo:
CGI espírita

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“Nosso Lar”, o livro, é uma obra psicografada por Chico Xavier que já vendeu cerca de 2 milhões de exemplares e foi traduzida para mais de dez idiomas. “Nosso Lar”, o filme, é uma superprodução brasileira, com direito a trilha sonora de Philip Glass e efeitos especiais da mesma empresa responsável por “Fonte da Vida” e “Watchmen”. E por mais que tente fazer jus à doutrina espírita, o longa será mesmo lembrado é pela impressionante quantidade de imagens geradas por computador, nunca dantes vista em uma produção nostra.

O filme conta a história do médico André Luiz – mais especificamente, da sua pós-vida. Depois de morrer, ele vai parar no mundo espiritual, onde começa sua jornada de evolução e autoconhecimento. Lá ele aprende sobre a vida após a morte e busca compreender o sentido da existência humana.

O diretor e roteirista Wagner de Assis faz uma direção burocrática e expositiva demais. Talvez preocupado em tornar compreensiva a doutrina espírita, ele aposta no didatismo e se esquece do principal: contar uma boa história. Tudo é explicadinho demais, com os personagens recitando seus diálogos p-a-l-a-v-r-a-p-o-r-p-a-l-a-v-r-a-e-l-e-t-r-a-p-o-r-l-e-t-r-a.

Uma irritante narração em off do protagonista acompanha todo o filme, em uma redundância narrativa que tira muito da força do que é mostrado, sem deixar espaço para surpresas e mistérios. Os personagens são pouco desenvolvidos e os atores – talvez incomodados com atuar em frente a uma tela verde – parecem pouco confortáveis, declamando seus diálogos expositivos como estudantes em apresentação de trabalho escolar.

O que chama a atenção é realmente o apuro visual e a direção de arte eficiente que, aliados à trilha sonora, criam um clima propício para a mensagem de paz e fé que a história tenta contar. A diferença de paletas de cores utilizadas no agonizante umbral e na radiante cidade do nosso lar funciona muito bem, auxiliando na torcida do espectador pelo personagem.

Mas com tanto didatismo, o filme vira uma espécie de aula espírita e se esquece de emocionar o espectador, sendo salvo do tédio apenas pelas participações especiais de rostos famosos da TV colocados estrategicamente em pontos chaves da trama. Entre uma embalagem bonita e um conteúdo para lá de interessante, o que se perdeu foi justamente a forma de se narrar. O que, em se tratando de cinema, é um grande pecado.

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O laboratório do pós-vida é o mesmo dos cientistas humanos em Pandora.

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