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Amigos, amigos, filhos à parte

22.09.10

por Marcela Vieira

Coincidências do amor

(The Switch, EUA, 2010)

Dir.: Josh Gordon e Will Speck
Elenco: Jennifer Aniston, Jason Bateman, Jeff Goldblum, Juliette Lewis, Patrick Wilson, Thomas Robinson

Princípio Ativo:
mentiras sinceras

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Existe uma teoria que diz que homem e mulher não conseguem ser amigos porque um dos dois sempre confunde as coisas. Verdade ou não, essa confusão de sentimentos fica clara no Wally Mars (Bateman) de “Coincidências do Amor”. Melhor amigo de Kassie Larson (Aniston), desde o começo do filme ele apresenta indícios de que é apaixonado pela amiga, que finge não perceber (ou não percebe mesmo, por pura demência). E como na maioria dos casos, o sentimento não dito “vai terminar numa confusão daquelas” (#sessãodatardefeelings).

Com a idade biológica avançando, Kassie decide fazer uma inseminação artificial e escolhe o doador perfeito (Wilson) para sua produção independente. Alto, loiro, olhos azuis, esportista, enfim, O Cara. Mas numa noite de bebedeira, Wally - o amigo hipocondríaco, nerd e problemático - troca os potinhos de sêmen e Kassie acaba engravidando da pessoa errada.

Ela vai morar em outra cidade para criar melhor o filho e apenas sete anos depois os amigos se reencontram. É quando o óbvio acontece: Sebastian, o menino, é a cópia fiel do pai biológico. Ele se transformou num menino de sete anos de idade hipocondríaco, maníaco-depressivo e problemático, que rouba completamente a cena. Sabe Marvin, o paranoid android do “Guia do Mochileiro das Galáxias”? Pois é. E justamente por isso você se apaixona por ele. É impossível não fazer um “ooowwwnnn” quando o ator Thomas Robinson aparece na tela.

Mesmo com a trama clichê dos amigos que se apaixonam, o roteirista Allan Loeb (“Quebrando a Banca” e “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme”) faz “Coincidências do Amor” ser divertido pela atenção ao que acontece além dos personagens principais. A direção mediana de Will Speck e Josh Gordon (Escorregando para a Glória) funciona muito bem para o jovem Robinson, além de Jeff Goldblum e Juliette Lewis, que arrancam boas risadas nos papeis de melhores amigos do casal. Já Patrick Wilson poderia dar uma melhorada no seu personagem, que termina ficando bobão demais. Deve ser para você não ter pena dele se ferrar no final.

Mas o principal mérito do longa é como ele retrata de forma convincente a relação pai e filho e o amadurecimento que ela traz para os dois, especialmente para Wally. Após a chegada de Sebastian em sua vida, ele não só começa a assumir responsabilidades, como também arruma coragem para admitir sua paixão pela amiga, sem soar idiota. Com exceção da falta de química entre Bateman e Aniston, e o fato de ela continuar interpretando a Rachel, é um ótimo filme para assistir com a família, sem grandes expectativas ou reflexões filosóficas.

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