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Poucos riffs, muitos sons

01.07.05

por Alfredo Brant

White Stripes - Get Behind Me Satan

(Sum Records, 2005)

Top 3: “Blue Orchid”, “Take Take Take”, “As Ugly as I Seem”

Princípio Ativo:
Marimbas, pianos e belas canções

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Cercado de expectativas, o lançamento do novo álbum do White Stripes é realmente um acontecimento de grande relevância no universo da música pop. A dupla de Detroit, que chega ao quinto disco, lidera ao lado de Queens of the Stone Age e The Strokes a revanche das guitarras que acomete o mundo desde 2001. “Get Behind Me Satan” é o nome do disco que fatalmente estará na lista dos melhores deste ano.

Após o estrondoso sucesso de “Elephant”, o que se podia esperar de Jack e Meg White? Talvez uma continuação da fórmula do inspirado disco anterior. Porém, o que se vê é um disco estranho e instigante. Gravado em 14 dias no estúdio caseiro de Jack, a estranheza começa pela estratégia de divulgação. Uma exótica turnê de lançamento pela América Latina levou a dupla para locais inusitados como a desconhecida Guatemala, um misterioso povoado missionário na Argentina e para o suntuoso Teatro Amazonas, em Manaus.

A primeira do disco, o single “Blue Orchid”, é um poderoso hard rock com ecos de Led Zeppelin. O vocal esganiçado de Jack e um nervoso riff de guitarra dão a direção errada. Porque logo depois o que se ouve é “The Nurse”, uma singela canção levada por um delicado xilofone. Na seqüência, um piano e um pandeiro dão a base para o blues ligeiro de “Doorbell”.

E assim segue Get Behind Me Satan. A preferência é por instrumentos como marimbas, pianos e guitarras acústicas. Apenas três músicas são em cima de riffs de guitarra. E então ouvimos pequenas jóias como o country-cafona “Little Ghosth” e a apaixonada “As Ugly as I Seem”. Jack White extravasa seu lado crooner em “The Denial Twist” e em “I’m Lonely (But Ain’t That lonely Yet)”. Meg canta com a habitual doçura em “Passive Manipulation” que introduz a magistral “Take Take Take”.

O White Stripes, antes de fazer rock de garagem, blues-rock ou qualquer outra coisa, é uma banda de canções, sejam elas com guitarras estridentes ou delicados pianos. Por isso a cada audição as músicas de “Get Behind Me Satan” se tornam mais bonitas e fascinantes. Esse talento para fazer belas canções é o maior trunfo da dupla. Como diz o título (algo como “Vade Reto Satanas”), eles estão se libertando de definições redutoras e construindo uma carreira irrepreensível.

Com ótimos discos, shows incríveis, estilo próprio e postura autêntica, Jack e Meg já escreveram seus nomes na história da música pop. Uma das primeiras grandes bandas dessa década. A influência do duo já pode ser atestada pelos seus filhos diretos. As duplas Dresden Dolls, Black Keys e The Kills que o digam.

Jack e Meg: revanche das guitarras

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