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“Entrando numa fria” Jennifer Lopez Mix (feat. Jane Fonda)

01.08.05

por Rodrigo Ortega

A sogra

(Monster-In-Law, EUA, 2005)

Dir: Robert Luketic
Elenco: Jennifer Lopez, Jane Fonda, Michael Vartan, Vanda Sykes, Elaine Stritch

Princípio Ativo:
Jane Fonda

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“A Sogra” foi para o mesmo saco da seleção brasileira em 82 e dos Red Hot Chilli Peppers no Rock In Rio de 2001. Tinha tudo para ser ótimo, mas não rolou. Ressuscitar Jane Fonda, longe das telonas há quinze anos, e colocá-la pra dar uns sopapos em Jennifer Lopez: how cool is that!? Na comédia, Viola Fields (Fonda), uma estrela de TV substituída por outra mais nova, desconta sua raiva na nora boazinha Charlie Cantilini (Lopez). O filme é uma metáfora dele mesmo: quanto mais Charlie parece boba (e isso Lopez faz bem), mais ela irrita Viola e cria brigas engraçadas em potencial. Mas a falta de criatividade do roteiro tira quase toda a graça de “A Sogra”.

O filme é um hit modesto e faturou 23 milhões de dólares no seu fim de semana de estréia nos EUA. O que não está mal para Lopez, cantora-modelo-manequim-atriz que se esforça para ser mais expressiva do que uma porta. O diretor Robert Luketic (de “Legalmente Loira”) comanda algumas cenas divertidas. Os momentos pastelão, incluindo trocas de tapas e caras na comida, são bacanas. A pequena participação de Elaine Stritch como a sogra da sogra, Gertrude, é ótema. Mas é Viola Fields, com sua assistente Ruby (Wanda Sykes), que provoca as maiores risadas. Ruby profere a melhor frase do filme: “A noiva do seu filho ficou com menos homens em toda a vida dela do que você só no segundo dia do Woodstock”.

Em outras partes, o filme passa dos limites da baranguice, como nos encontros iniciais de Lopez com seu noivo, o Dr. Kevin Fields (Michael Vartan). O moço é tão inexpressivo quanto sua companheira, quase um cigano Igor. As cenas da noivinha pintando quadros com flores ou chorando, para mostrar sua “sensibilidade”, são dispensáveis. “Eu estou tão cansada, minha sogra está me infernizando”, diz Charlie aos seus amigos. Seria mais sincera se falasse: “Eu não sei interpretar, então tenho que dizer o que estou sentindo, sabe?”.

Os noivos se conhecem logo depois que ela lê no horóscopo que encontraria o seu amor naquele dia. A partir daí todos os acontecimentos parecem gratuitos e as reações óbvias. O que era para ser irônico fica tedioso. A personagem de Jane Fonda, uma versão escrachada de Jack Byrnes (Robert de Niro) em “Entrando numa fria”, compensa o ingresso. Mas os roteiristas Anya Kochoff e Richard LaGravenese erraram feio na receita. Faltou sal e sobrou açúcar.

Quem não queria estar no lugar da sogra pra bater na Jennifer Lopez?

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