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Canções para festas, rádios e prateleiras

12.01.05

por Braulio Lorentz

Bidê ou Balde - É preciso dar vazão aos sentimentos

(Independente, 2004)

Princípio Ativo:
Chiclete

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Fazer frases de efeito é a sina dos gaúchos da Bidê ou Balde. O nome da banda, convenhamos, é uma das divertidas odes ao non-sense. Os títulos dos discos também seguem esse rumo. O de estréia, lançado em 2000, é a polêmica exclamação Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor!. O EP lançado no ano seguinte não deixa por menos e indaga Pra Onde Voam os Ventiladores de Teto no Inverno?. O petardo posterior, de 2002, deixa a impressão de ter decretado um prazo para o seu próprio lançamento: Outubro ou Nada!. Pode parecer loucura, mas em um contexto new wave repleto de piadas internas e cores bonitas tudo faz bastante sentido.

A diversão dos nomes dos CDs da Bidê é a mesma presente nas canções, roupas, encartes, letras e tudo que cerca a banda. Diversão é a palavra certa para É preciso dar vazão aos sentimentos, mesmo com o clima de fim de festa que poderia haver com a saída repentina da tecladista Kátia Aguiar. A moça dá tchau, mas toca teclado na ótima “Não Seja Assim” e participa do duelo entre meninos e meninas da irônica “Exijo respeito”. “Respeitar mulher é mesmo complicado/ (...) Quando não estão menstruadas, estão com dor de cabeça”, reclama o vocalista Carlinhos.

A cara de pau continua nas outras dez faixas do disco. Haja oléo de peróba para passar na cara de quem formula uma cantada do nível de “teu queixinho John Travolta é de matar”, da dançante faixa-título. O bom primeiro single “Hoje”, originalmente gravado pelo Camisa de Vênus, tem a participação do inimigo número um da sutileza, Marcelo Nova. A balada “Pelo menos isso” quebra o ritmo da animação e merece ser dançada de rostinho colado.

Historinhas são contadas pelo sexteto com direito também a um monte de barulhinhos e guitarras pesadas. Os hits em potencial são chicletudos e dignos de grudar nos sapatos alheios. Prova de que o melhor do pop nacional não dá as caras nas prateleiras das Megastores espalhadas por aí.

Climinha new wave, vocais femininos e masculinos, diversão... Só falta a batata frita, né? Enfim, não estranhe se alguém com mais de quarenta anos disser uma frase parecida com essa. O som da BoB tá mais para Weezer, B-52´s e The Rentals, mas Blitz é uma referência mais fácil e não menos pertinente.

Backing vocals femininos, melodias assobiáveis, terninhos pros rapazes, vestidinho pra guria, lalala's e tchururu´s estão aqui e ali. Vale tudo quando a intenção é dar vazão aos sentimentos.

Vivi: a mocinha backing vocal da Bidê ou Balde

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