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Duro de agüentar

08.10.05

por Daniel Oliveira

O virgem de 40 anos

(The 40-year-old virgin, EUA, 2005)

Dir.: Judd Apatow
Elenco: Steve Carell, Catherine Keener, Paul Rudd, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Leslie Mann

Princípio Ativo:
Steve Carell

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“Você sabe como eu sei que você é gay? Você gosta de Coldplay”. São piadas sutis, inteligentes e nem um pouco preconceituosas como essa que inundam “O virgem de 40 anos”. O filme é como aquele amigo sem-noção, boca suja e porra louca que te faz morrer de vergonha quando sai com você e sua namorada – ele é engraçado, mas podia pegar um pouco mais leve. Se bem que você pode ser o tal amigo e, nesse caso, deve rachar de rir com as escatologias do longa.

Steve Carell (o âncora de “Todo poderoso”) é Andy, funcionário do estoque de uma loja de eletrônicos. Seus colegas descobrem que, aos 40 anos, o cara ainda é virgem e resolvem “ajudá-lo” com seu problema. Entre aspas mesmo, porque o que eles fazem é simplesmente botá-lo em roubadas e tirar sarro da cara do coitado. Andy ainda conhece Trish (Catherine Keener, de “A intérprete”), dona da loja vizinha, pela qual se apaixona.

Escrito e dirigido pelo estreante Judd Apatow, “O virgem de 40 anos” aposta em piadas óbvias e no estereótipo de seus personagens. De fato, a primeira metade funciona na interação dos quatro amigos e, para quem gosta de humor físico e escatológico, é um prato cheio. As seqüências da depilação, da bêbada na boate e do “clube de encontros” são bem engraçadas - se você desconsiderar que a ambigüidade, os diálogos inteligentes, o duplo sentido e a criatividade tiraram férias. Apatow, sem nenhum lampejo de originalidade, apóia-se no grotesco e no bom timing de Carell e sua trupe, nas situações mais constrangedoras possíveis.

O maior problema é que todo o esforço hercúleo pela transa de Andy se perde, na segunda metade do filme, em mais uma comédia romântica moralista, especialmente quando ele firma seu relacionamento com Trish. Incrivelmente, o longa segue uma linha família (!) que, não por acaso, agradou em cheio o público conservador norte-americano, ao pregar que você pode até ser porra louca e aproveitar todas, desde que no final consiga uma esposa e constitua família (!!!).

Completando o pacote com uma trilha sonora horrível (“Hello”, de Lionel Ritchie, para assistir a um filme pornô?) e um slogan que causa picos (sem trocadilhos) de vergonha interna, “O virgem de 40 anos” tornou-se um veículo para Steve Carell. Com o sucesso de público nos EUA, o comediante passou de coadjuvante a protagonista de quatro longas só no ano que vem. Agora, nada explica uma coisa: de onde tiraram aquele musical no final e o que ele tem a ver com o resto do filme? Se alguém souber a resposta, por favor mande para o meu email.

“Tá rindo da minha cara feia? Já viu meu salário e o seu?”

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