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Sem Recheio

04.10.05

por Rodrigo Campanella

A Luta pela Esperança

(Cinderella Man - EUA/2005)

Dir.: Ron Howard
Elenco: Russel Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti

Princípio Ativo:
A construção do herói

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Esqueça o iPod e o Skype. O diretor Ron Howard é o responsável pela maior invenção dentro das comunicações no novo século: o nome dela é Rádio. Funciona assim: através de ondas eletromagnéticas, sons são enviados através de distâncias extremamente longas e captados por um receptor especial. A grande inovação é a seguinte: com o uso do rádio é possível contar uma história SEM imagens. Apenas os diálogos e os efeitos sonoros dão conta do recado.

Como o novo veículo ainda é bastante desconhecido, Howard teve a sábia decisão de começar sua difusão usando um outro meio já um pouco ultrapassado, chamado cinema. A julgar por sua direção em A Luta pela Esperança, as esperanças de Howard são de que, em alguns poucos anos, a venda de rádios pelo mundo ultrapasse o número de entradas de cinema adquiridas.

Grandes invenções nunca vem sozinhas e por isso o diretor ainda traz outra grande criação: chama-se filme didático. Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas uma película pode ser também, por que não?, um ótimo meio de se ensinar as pessoas. Através desse recurso sensacional, Howard consegue contar em detalhes cada detalhe da história que nós já estamos vendo na tela – descobrimos até que nosso boxeador tem memória para guardar os golpes do adversário.

Sim, trata-se de uma história de boxe.

Pugilista-americano-na-época-da-Depressão-vai-ao-fundo-do-poço-e-encontra-uma- segunda-chance. O pugilista é Jim Braddock, apelidado de Homem-Cinderela por conta da volta por cima – porém, a atuação indica que ele talvez atenda também pelo nome de John Nash, o outro herói da dupla Howard/Crowe em Uma Mente Brilhante.

Sem um protagonista complexo por si como era Nash, o filme se torna um grande trailer água-com-açucar na maior parte. Ao invés de filmar a Grande Depressão, a direção parece optar por um ‘teatrinho de lobos famintos’ que nem de longe convence. Renée Zellweger, por sua vez, parece ter mandado uma dublê para filmar sua parte.

No grande monocórdio que o filme é (seria um péssimo programa de rádio...), salvam-se dois ou três planos realmente impressionantes e um dos mais espetaculares exemplos de ‘construção do herói’ que o cinemão americano deu nos últimos anos. Mesmo com um Crowe catatônico a maior parte do tempo, a ascensão de lutas na volta de Braddock aos ringues é de fazer cravar os dedos na poltrona. Num só crescendo, o herói vai sendo construído em pleno vôo, em meio às patadas de luvas de boxe. É uma condução fantástica. Só faltaram os outros 100 minutos de filme.

“Amor, eu vou lá gravar Bridget Jones e volto em uns três meses, ta bom?”

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