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“Eu não me sinto pequeno”

16.01.05

por Rodrigo Ortega

Hanson - Underneath

(Sony, 2005)

Top 3: “Penny and Me”, “Broken Angel”, “Lost without each other”

Princípio Ativo:
Biotônico Fontoura

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“Nem gosto de “Mmmbop”, mas a vocalista do Hanson até que é gatinha”. A declaração infeliz em um dos felizes recreios da sétima série foi motivo de gozações eternas com seu autor. Claro que fui um dos carrascos do pobre colega. Confesso que hoje encaro o caso de maneira diferente, com mais maturidade, talvez. Minha maior indagação é: “Como alguém consegue não gostar de “Mmmbop”!?”

A canção catapultou para o sucesso em 1997 os irmãos Zac, Issac e Taylor Hanson, então adolescentes, nascidos em Tulsa, EUA. Oito anos depois, eles mostram que não perderam o faro pop em Underneath, seu terceiro álbum. No meio tempo foram atropelados pela febre das boybands, mas não se deram por vencidos e montaram um selo próprio, 3CG.

Underneath chega ao Brasil quase um ano depois do lançamento nos EUA, junto com notícias de shows em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro em março, e o clipe de “Penny and Me” estreando na MTV local. O novo single tem tudo pra fazer até as meninas mais crescidinhas tirarem os pôsteres do Hanson do fundo da gaveta, se esbaldarem com o refrão “Close our eyes pretend to fly / It’s always Penny and me tonight” e se divertirem com o nonsense à Noel Gallagher dos versos “Penny likes to get away / And drown her pain in lemonade”.

O galã Taylor Hanson, 21, que, convenhamos, tinha uma imagem propícia à confusão que vitimou meu colega, se casou e teve um filho em 2002 (!). Hoje ele comanda um pop cada vez mais certeiro e classudo. O ponto alto de Underneath é a belíssima “Broken Angel”, com cordas, pianos e melodia dignos do Coldplay. O mini-Cris Martin comove com a sinceridade dos versos “Eu quero voar alto / Parece que eles não me deixam, dizem que eu sou muito pequeno / Eu não me sinto pequeno”.

Os acordes de “Belive” e “Underneath” também atingem diretamente o coração. “Get up and go” e “Lost without each other” (composta em parceria com o ex-New Radicals Gregg Alexander) são tão empolgantes quanto “Penny and Me”. “Crazy Beautiful” e “Dancing in the Wind” têm dinâmicas diferentes e bacanas, para confirmar a competência dos irmãos Hanson.

Além das boas canções, o Hanson é apontado como grande influência por Avril Lavigne e é responsável por Middle of Nowhere, de 97, um dos álbuns essenciais da década segundo a revista Rolling Stone. Perigam ganhar de Chandler Bing no quesito “pessoas mais legais que já abandonaram a cidade de Tulsa”.

De cima: Isaac, Taylor e Zac – eles já estão grandinhos.

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