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Acústico Rezado

12.11.05

por Alfredo Brant

O Rappa - Acústico MTV

(Warner, 2005)

Top 3: “Reza Vela”, “Não Perca as crianças de vista” e “O salto”.

Princípio Ativo:
Falcão

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Já deu para perder as contas de quantos Acústicos MTV chegaram às lojas e camelôs de todo o Brasil. Quase todo os nomes de sucesso do pop rock brasileiro dos anos 80 já experimentaram esse formato, além de algumas bandas da década passada e outros representantes atuais. Falar que o formato está desgastado e que pouco acrescenta na carreira do artista é chover no molhado.

O último a se aventurar nesse projeto foi a banda carioca O Rappa. Gravado em São Paulo nos dias 13 e 14 de julho, o show também deu origem a um DVD, como já é de praxe. Com 12 anos de estrada, clipes de sucesso na MTV e reconhecimento de público não chega a ser surpreendente um acústico d’O Rappa. Segundo os integrantes, a idéia era fazer o trabalho no auge da banda, experimentando novas sonoridades e fugindo das músicas conhecidas.

No geral, a banda se dá bem e consegue alcançar parte de seus objetivos. Inegavelmente, o Rappa encontra-se em ótima forma. Sucesso de público e um bom disco anterior de estúdio (O Silêncio que precede o Esporro), a banda já superou a traumática saída de Marcelo Yuka, ex-baterista e principal letrista dos primeiros discos. O repertório escolhido também não é tão óbvio. Das 13 músicas, cinco são do CD de 2003. Não estão presentes grandes hits como “A Feira” e “Minha alma” e há ainda duas inéditas.

O formato acústico, no entanto, não acrescentou grandes mudanças na sonoridade d’O Rappa. Como nos últimos discos, o trabalho está apoiado nos vocais de Falcão e na poesia do cotidiano urbano. Mesmo usando instrumentos como bandolins, craviolas e uma rabeca, prevalece a massa sonora densa, por vezes psicodélica. A influência do ragga jamaicano reflete nos vocais rápidos e tribais, algo como um “acústico rezado”, como diz Falcão em “Reza vela”.

Uma das novidades foi o coral de vozes que rendeu bons momentos em faixas como “O Salto”. Das duas inéditas, “Na frente do reto” e “Não perca as crianças de vista”, a primeira traz um violão à Jorge Benjor e a outra uma melodia que remete ao Rappa Mundi, segundo disco da banda. Em relação às participações especiais (procedimento obrigatório nos acústicos MTV), Maria Rita nada acrescenta a “Rodo Cotidiano” e Siba, do Mestre Ambrósio, toca rabeca em “Homem Amarelo”.

No final das contas, a verdade é que mesmo no desgastado formato acústico, O Rappa é um grupo que tem algo a dizer. Não vai mudar a vida de ninguém, mas vai agradar fãs e vender um bocado. Se é assim que a vida é, só resta especular sobre qual será o próximo Acústico MTV: CPM 22? Skank? Los Hermanos?

Falcão está em primeiro plano não é por acaso

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