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29.01.06

por Daniel Oliveira

Edison - Poder e corrupção

(Edison, EUA, 2005)

Dir.: David J. Burke
Elenco: Justin Timberlake, LL Cool J, Morgan Freeman, Kevin Spacey, Dylan Mcdermott, Piper Perabo, John Heard, Cary Elwes

Princípio Ativo:
Músicos querendo ser atores

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10:10 – 10:20: O filme começa. Narração em off. Tiroteio. Muito barulho, ação. O longa diz a que veio. O espectador não consegue discernir muito bem entre mocinhos e criminosos. Pronto. É sobre isso o que “Edison” fala: policiais mais bandidos que os próprios bandidos. E pegando carona nessa inversão, os produtores acreditam que músico é mais ator que os próprios atores: Justin Timberlake e LL Cool J protagonizam a história como, respectivamente, Pollack, um repórter idealista que investiga o esquadrão corrupto; e Rafe, um policial bandido com crise de arrependimento. Enquanto isso, Morgan Freeman (Menina de Ouro) e Kevin Spacey (o Lex Luthor do próximo Superman) coadjuvam. Está realmente tudo invertido.

10:25: Momento LL Cool J do filme, levantando peso sem camisa. Malhação manda um abraço.

10:35: Freeman, como Ashford, o editor de Pollack, tenta dar aulas de jornalismo e interpretação para Timberlake. Depois faz uma dancinha bêbada ridícula. Vergonha alheia.

10:40: Depois de muito diálogo raso, uma cena de ação para manter o público aceso. Invasão de boate, tiros, gritos.

10:50: Momento Justin Timberlake do filme, gastando passos de dança com a namorada (Piper Perabo) na boate. Os dois são espancados na saída. Pollack vê que não é brincadeira mexer com a FRAT, o tal esquadrão corrupto. Ponto de virada 1. Syd Field manda um abraço.

10:55: O personagem de Spacey, o investigador Wallace, começa a aparecer mais na trama. E você passa a ter certeza de que o ator está morrendo de preguiça.

11h: Suspense seguido de explosão. Timberlake sabota o carro do policial bandidão (Dylan Mcdermott) e foge de bicicleta (!!!), com o cara armado atirando atrás dele. Wallace explica a Ashford o esquema de corrupção da cidade de Edison, com Spacey e Freeman no único diálogo decente do longa.

11:05: O diretor David J. Burke prepara sua primeira cena com competência: um assassinato na prisão. Depois a estraga, mostrando tudo até os finalmentes. “Para quê sugerir, se eu posso escancarar?”

11:05 – 11: 25: Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá....zzzzzzzzzz

11:25: O policial bandidão faz cara de muito mau e eu quase fico com medo. Ele discute com o seu chefão. A FRAT começa a ruir. Ponto de virada 2.

11:35 – 11:45: Perseguição final. Tiroteio. Discursos à la James Bond, por parte dos vilões. Segundo o roteiro, a melhor maneira de lidar com a corrupção na polícia é a violência: matar todo mundo. César Tralli não ficaria muito feliz com seu alter-ego Timberlake.

11:45 – 11:50: Cadê a reviravolta final? Syd Field vai puxar sua orelha, Burke!

10:10 – 11:50: Eu perco meu tempo, a trilha sonora não acerta em uma única cena, Spacey morre de preguiça, Freeman paga contas atrasadas e Timberlake / LL Cool J, definitivamente, não conseguem.

“O que nós estamos fazendo aqui?”

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