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Como perder um filme em 5 ingredientes

13.04.06

por Daniel Oliveira

Armações do amor

(Failure to launch, EUA, 2006)

Dir.: Tom Dey
Elenco: Sarah Jessica Parker, Matthew McCounaghey, Zooey Deschanel, Justin Bartha, Kathy Bates, Terry Bradshaw

Princípio Ativo:
fórmula repetida

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“Armações do amor” é aquela receita de bolo antiga da sua vó, que a sua irmã resolve fazer um dia. Você já comeu aquilo antes e bem melhor, por mais que ela coloque todos os ingredientes indicados:

O pano de fundo: Também conhecido como a desculpa para os encontros e desencontros do casal. Pode ser uma aposta, o apagamento de memória ou um virgem de 40 anos. Nesse caso, é o fenômeno recente nos EUA dos homens na faixa dos 30 anos que continuam morando com os pais. Tripp é um deles, cujos pais contratam Paula, especializada em tirar esses rapazes de casa. Os conflitos entre Tripp e seus genitores, que renderiam boas situações cômicas, são sugeridos em uma única cena no começo do filme, sinal de uma trama mal aproveitada, assim como Kathy Bates e Terry Bradshaw, que vivem os pais do protagonista.

A mocinha: Sarah Jessica Parker (Tudo em família) tem charme de sobra, mas peca no timing cômico. Exagera na cena do cachorro, mas rende boas risadas na seqüência do paintball que, infelizmente, termina antes de começar.

O mocinho: Matthew McCounaghey, monte de músculos sem camisa. Ao invés de “Como perder um homem em 10 dias”, primo-irmão de “Armações do amor”, a farsa fica só por conta da mocinha, então sua única função é ser o Freddie Prinze Jr. de 30 anos, ou a Meg Ryan de calças dos anos 00. Seu Tripp é mordido por um esquilo, um lagarto e um golfinho porque está em “desequilíbrio com a natureza”. Pegou a profundidade da metáfora?

O alívio cômico: Kit, amiga atrapalhada da mocinha, e Ace, amigo nerd do mocinho. Zooey Deschanel (O guia do mochileiro das galáxias) e Justin Bartha têm potencial, mas seus diálogos são ruins, assim como a direção de Tom Dey. A cena da “caça ao passarinho” tem um tom cômico acima do resto do filme, totalmente deslocada. A presença dos dois no roteiro fica forçada e evidencia ainda mais a função-título: suas piadas já são aguardadas e perdem o caráter inesperado de uma boa comédia.

Os encontros e desencontros: Parker e McCounaghey são um belo casal, mas a química não explode. Ele já fez melhor com Kate Hudson e ela com o Mr. Big. Em nenhum momento, sente-se que ele morre de amores por ela. E Paula pode se apaixonar, mas em nenhum momento põe o sentimento acima de sua “missão”. “Armações do amor” quer ser uma boa comédia, com uma trilha musical que tenta acelerar seu ritmo, mas fica no meio do caminho; quer ser um romance apaixonante, com um casal publicitário, mas fica no meio do caminho. Assim como os personagens ao final do filme, estamos assistindo a um embate meia-boca, que já sabemos onde vai dar.

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