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Básico demais e instinto de menos

21.04.06

por Daniel Oliveira

Instinto selvagem 2

(Basic Instinct 2, EUA/Espanha/Alemanha/Reino Unido, 2006)

Dir.: Michael Caton-Jones
Elenco: Sharon Stone, David Morrissey, David Thewlis, Charlotte Rampling, Hugh Dancy

Princípio Ativo:
Stone tenta um time fucking

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“Eu não consigo me mover...”
“Você não precisa, querido. Você está num carro.”


Quando “Instinto selvagem 2” começa com um diálogo horroroso desses entre a escritora Catherine Tramell e sua primeira vítima, você faz o sinal da cruz e espera pelo pior. Mas apesar disso, e do fuzilamento por parte da crítica, a bomba não é tão catastrófica assim.

Após a seqüência vergonhosa acima, a protagonista é investigada pela polícia inglesa, que designa o psicanalista Michael Glass para fazer uma avaliação da moça. Além de desafiar seu doutor, Catherine tem que cuidar do detetive Roy Washburn, que não acredita na sua inocência, e seduzir uns 80% do elenco.

A grande falha do longa reside em duas tentativas fracassadas de enganar o tempo. Sharon Stone tenta nos convencer de que não envelheceu, com um corpo escultural, belas pernas e Deus-sabe-quanto de botox no rosto. Esse último fator, porém, impede que ela consiga fazer outra cara que não a de vou-te-fazer-querer-transar-comigo-agora, mesmo quando suas poucas boas falas não têm nada a ver com isso.

A segunda enganação é a do roteiro, que não enxerga que aquela fórmula do primeiro filme foi esgotada em uma série de filmes do Super Cine nos anos que o separaram desta seqüência. Seu jogo de sedução e perigo entre os dois protagonistas soa batido demais, assim como suas reviravoltas, que grande parte do público deve conseguir adivinhar com meia hora de antecedência.

Além disso, a fraca interpretação do “famoso quem” David Morrissey, como o Dr. Glass, subjuga ainda mais seu personagem frente à escritora psicopata. O diretor Michael Caton-Jones (O último suspeito) e a fotografia do filme acentuam essa situação, colocando-o sempre abaixo de linhas que parecem uma teia na qual ele está preso. O psicanalista criado pelo roteiro também não ajuda, sendo facilmente dominado por Catherine e deixando que ela vire o jogo facilmente – na consulta, é a escritora que parece analisá-lo; quando ela não chega, ele vai atrás, como se precisasse dela.

No filme, o detetive vivido por David Thewlis diz que nem a verdade, quando dita por Catherine, é verdade – ela usa uma técnica de mind fucking, distorcendo a lógica com sua sedução. É uma teoria interessante. Pena que nos faz pensar se não foi isso que Stone usou no primeiro filme, que seria tão meia boca quanto esse. Só que se deu certo naquele, nessa seqüência o mind fucking não foi suficiente. Para fazer esse longa funcionar, ela teria que conhecer uma técnica de time fucking. Isso, nem Tramell nem Stone nem o roteiro parecem saber ainda.

Stone: da época em que fumar ainda era sexy

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