Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Cinco maneiras de se ver um filme

22.04.06

por Daniel Oliveira

Tudo por dinheiro

(Two for the money, EUA, 2005)

Dir.: David J. Caruso
Elenco: Al Pacino, Matthew McCounaghey, Rene Russo, Armand Assante, Jeremy Piven, Jaime King

Princípio Ativo:
Al Pacino

receite essa matéria para um amigo

1- O filme que poderia ter sido: A história de Brandon Lang, ex-jogador de futebol americano descoberto pelo dono do maior serviço de apostas dos EUA, Walter Abrams, e transformado em um Midas dos resultados esportivos, tem muito potencial. Além de contar com um elenco extremamente bem escolhido: Matthew McCounaghey, como Lang; Al Pacino, como Abrams; e Rene Russo, como Toni, a mulher deste último.

Em “Tudo por dinheiro”, Lang se transforma, mais que um filho ou aprendiz, em uma última grande aposta de Abrams. Jogador compulsivo, ele é o que filme tenta retratar de um apostador: viciado em adrenalina e risco. Como Toni, porto seguro do personagem, diz: “ele não conhece consistência”.

Se a direção fosse de um Scorsese da vida, teríamos um dos filmes do ano. Infelizmente, ela foi parar nas mãos de um D.J. Caruso (Roubando vidas), que faz o arroz-com-feijão básico. Ele exagera na trilha musical, alta e pesada demais, e não explora a interessante arquitetura do prédio do centro de apostas - que, ao mesmo tempo, serve como casa para os personagens e demarca o status de cada um lá dentro.

2- O filme de futebol americano que só é legal para eles: O roteiro de Dan Gilroy é baseado em uma história real, só que o esporte era basquete. Deveria ter sido mantido porque se futebol americano é divertido para eles, para o resto do mundo é Tio Sam demais.

3- O veículo para Matthew McCounaghey: Ex-esportista, e atual Freddie Prinze Jr. de 30 anos, o astro escolhe um tema conhecido para provar que é um ator sério. Ele tem carisma e não chega a ser ruim. O caso é que a transformação de seu Brandon Lang em John Anthony – Abrams muda até o nome do pupilo – é representativo do que acontece no longa...

4- Pacino paga o aluguel e prova que é Deus: ...assim como Lang, McCounaghey se torna uma mera marionete de Pacino. O ator veterano mostra que, com um personagem bom, ele melhora qualquer filme, mesmo que somente ligue o piloto automático. Ele eclipsa o jovem astro e dita o ritmo do filme. As melhores seqüências do longa são as com ele e Rene Russo – como a do “eu sou traumatizado” ou o diálogo final entre eles. No que chegamos a...

5- O filme em que McCounaghey tem aulas com Pacino: No fim das contas, McCounaghey (e Lang) até lê(em) os movimentos de Pacino (Abrams). Ele(s) consegue(m) até antecipar algumas de suas próximas jogadas. E quando reconhece(m) que não pode(m) manter o mesmo nível, deixa(m) a grande cena para o mestre e Russo – e reserva(m) ao seu personagem um final bobinho e clichê, significativo do tamanho de seu talento em um filme dominado por Al Pacino.

“No intervalo, a gente pode colocar no Real Madrid x Barcelona?”

» leia/escreva comentários (2)