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07.06.06

por Daniel Oliveira

A profecia

(The Omen, EUA, 2006)

Dir.: John Moore
Elenco: Live Schreiber, Seamus Davey-Fitzpatrick, Julia Stiles, Mia Farrow, David Thewlis, Pete Postlethwaite, Michael Gambon

Princípio Ativo:
06-06-06

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“A profecia” tem dois grandes problemas: Robert Thorn, o embaixador dos EUA na Inglaterra, passa o longa negando que Damien, seu filho, é o anticristo – algo que o público já sabe antes do filme começar. Por sua vez, a interpretação de Seamus Davey-Fitzpatrick, como o garoto, não deixa dúvida: ele é o coisa ruim. Ele é assustador, e só - se eu tivesse dois olhos azuis daquele tamanho, fosse branco como um fantasma e olhasse daquele jeito o filme inteiro, eu também seria.

Somados, esses dois fatores causam irritação, ao invés de suspense. Para que o longa funcionasse, o diretor John Moore precisaria de um ator carismático com quem o público se importasse a priori (um Gregory Peck do original). Esse não é o caso: Liev Schreiber, além de pouco conhecido, usa a mesma expressão quando está com medo, ou preocupado, ou feliz ou surpreso.

O roteiro do longa é o d’A profecia” original, de 1976, com algumas poucas partes reescritas. O público é guiado pelo fotógrafo Keith Jennings (David Thewlis). É ele quem investiga as mórbidas evidências a respeito de Damien, a partir das fotos que tirou do padre Brennan (Pete Postlethwaite), que avisa Thorn sobre o garoto.

A trama interessante e bem amarrada permaneceu, mas não há como negar que esses elementos datados prejudicam. Se Keith e Brennan funcionavam nos anos 70, hoje eles são claramente personagens-muleta (Kathy, a mãe do menino, é outra), necessários para o filme seguir em frente, já que o ritmo ditado pelo protagonista é (sono-)lento. Outro exemplo é quando Keith e Thorn rodam a Itália atrás das origens de Damien. A parada deles em um trailer no meio da neve (!?) é didática, desnecessária e deixa o filme ainda mais arrastado.

A boa fotografia se perde, em especial no sonho de Kathy em um banheiro perfeitamente simétrico (Kubrick, alguém?). A perfeição visual é surpreendente, mas parece deslocada do resto do filme. Contudo, o enquadramento dos personagens, sempre muito pequenos em cenários grandiosos - representando o “poder maior que age sobre eles” - é uma boa sacada.

“A profecia” se salva nos bons sustos e nas envolventes cenas de terror. As comentadas referências a catástrofes recentes como sinais do Apocalipse, apesar de pertinentes, são gratuitas e perdem a função depois do início do filme. Alguns elementos também são mal resolvidos, como a época em que a história se passa. Moore usa os tais desastres contemporâneas, mas as personagens (principalmente as mulheres) se vestem como nos anos 70 e o ano corrente é evitado claramente na cena do cemitério. E olha que data foi o grande trunfo desse filme, ein?

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