Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Hollywood não cresce

15.06.06

por Lívia Bergo

Sorte no Amor

(Just My Luck, EUA, 2006)

Dir.: Donald Petrie
Elenco: Lindsay Lohan, Chris Pine, Faizon Love, Missi Pyle

Princípio Ativo:
Sapos e príncipes

receite essa matéria para um amigo

A sala vazia não é bom presságio para ninguém, sejam realizadores ou público. O filme rodando sem um espectador sequer é definitivamente prenúncio de um baita azar, também para ambos. Os letreiros iniciais – ornados com pés-de-coelho, ferraduras e o escambau – não convencem ninguém do contrário.

Temos, porém, que admitir: todo mundo ali fez o possível. Lindsay Lohan (Meninas Malvadas) tentou amadurecer, Chris Pine (O Diário da Princesa 2) tentou novamente ser galã e o diretor Donald Petrie (Miss Simpatia) tentou impor um tom de fábula moderna. Até Faizon Love conseguiu ser engraçado, ainda que isso ele já faça desde seus tempos de Sean “Sweet” Johnson em GTA: San Andreas, da badalada série para videogames.

Com 5 minutos (ou seriam segundos?) de filme, já sabemos todo o enredo. A partir daí, é inevitável a atmosfera de déjà vu, ou, mais ainda, de pensamentos no estilo: “eu já sabia!”.

O roteiro se apóia excessivamente nos opostos. De um lado, está Ashley, a mocinha rica, bem-vestida e tediosamente sortuda. Do outro, Jake, o rapaz pobre, sub-empregado e completamente azarado. Durante um encontro casual, a sorte (ou carma) dos dois se inverte.

É aí que nos deparamos com a trama ganhando os traços de uma caricatura. Ao terem suas vidas mudadas, a antes bem-vestida Ashley passa a estar permanentemente suja e despenteada, enquanto o nauseabundo Jake torna-se incrivelmente bonito e polido.

A partir de então, a gata-borralheira irá correr atrás de sua sorte (ou sapatinho de cristal, como queiram), vasculhando Nova Iorque em busca do ex-sapo, recém-transformado em príncipe. Tal qual a Bela Adormecida, sua salvação só pode se dar através de um beijo. Recheando tudo isso, algumas cenas literalmente asquerosas.

Com a pouca originalidade do roteiro, o espectador se perde entre uma Lindsay Lohan querendo se passar por mais velha e uma evidente tentativa de promoção da banda McFly, figurinha fácil da TV inglesa. No site oficial da banda, aliás, um banner convoca: “All fans who want to help Mcfly launch in America click here”, indicando um formulário para registro no fã-clube norte-americano. A essa altura, porém, é difícil saber se é o filme que conseguirá promover a banda ou vice-versa.

Lohan abre os braços para as bilheterias norte-americanas.
Mas a recíproca não é verdadeira...

» leia/escreva comentários (8)