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Serial killer tamanho família

23.06.06

por Daniel Oliveira

Poseidon

(EUA, 2006)

Dir.: Wolfgang Petersen
Elenco: Josh Lucas, Kurt Russell, Richard Dreyfuss, Jacinda Barrett, Emmy Rossum, Mike Vogel, Mia Maestro, Andre Braugher, Stacy Ferguson

Princípio Ativo:
O bolão para ver quem morre primeiro

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“Poseidon” tem outra similaridade com a mitologia grega, além do nome. É que, como um bom filme-catástrofe, sobra gente morrendo de forma trágica, dramática e sangrenta – do jeito que Zeus gostava de ver quem o desagradava.

O barco-título, ao ser atingido por uma onda traiçoeira, torna-se uma espécie de serial killer de filme adolescente. Como a proposta é entretenimento puro, a diversão vira adivinhar quem é o próximo a morrer e torcer para que o seu personagem favorito fique inteiro. O problema está em alguns quesitos – esses, sim, que você queria que pegassem fogo, afogassem e morressem:

O roteiro
Mark Protosevich (A cela) teve a manha. Ele conseguiu escrever um roteiro com quase todos os diálogos ruins e desnecessários. Sua incompetência em aprofundar os personagens faz uma conversa entre Jen (Emmy Rossum) e seu pai, Robert (Kurt Russell) soar totalmente forçada logo no início do longa.

Sem capacidade de sugestão, todas as falas soam didáticas, como se os sobreviventes se esforçassem para explicar ao público como se sentem. Na verdade, o silêncio já bastaria – por exemplo, quando o anti-herói Dylan (Josh Lucas) encara uma porta emperrando seus planos no terceiro ato e fica sem palavras. O que nos leva a...

Os personagens
A cena da onda virando o navio é ótima, mas quando um combustível incendeia um saguão que os sobreviventes atravessam, o CGI é vergonhosamente perceptível. Mas efeitos especiais não bastam.

Você tem que se preocupar com os personagens que tentam escapar do navio, subindo para o casco (ou descendo, já que o barco está invertido), apesar deles mesmo não saberem direito o que vão fazer quando chegarem lá fora. Aliás, o diretor Wolfgang Petersen (Tróia) irrita ao exagerar nas tomadas perpendiculares ao chão, gritando para o espectador como a verticalidade é importante no longa.

Com roteiro ruim, os personagens parecem rasos e você se encolhe na cadeira devido ao bom clima de tensão criado pela direção e (boa) montagem. Nunca por uma boa atuação ou por um personagem em especial. Até a tentativa de diversificar o grupo protagonista – várias raças, gêneros e sensos morais – soa rasa e forçada.

Eu, por exemplo, torcia por Maggie James, não pela atuação mais ou menos, mas porque gostava muito dela no “Na real – Londres”, o melhor de todos que a MTV produziu. E queria que a cantora do navio (Stacy Ferguson, do Black eyed peas) se desse mal porque acho o grupo dela muito chato. Com tudo isso, “Poseidon” funciona como diversão escapista, mas passa longe de estar à altura de Zeus.

“Foto com efeitos sonoros: Tchibum!”

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