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Veja com moderação

30.11.-1

por Rodrigo Campanella

Osama

(Idem - Afeganistão, 2003)

Dir.:Siddiq Barmak

Elenco: Marina Golbahari, Arif Herati, Zubaida Sahar

Princípio Ativo:
Boa condução

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Antes de entrar na festa, nem que seja de penetra, é bom perguntar quem é o dono dela, ao menos para não dar mancada. Agora, quando a festa é para nós, vale a pena perguntar quem é que a oferece.


Osama é vendido ao mundo todo como “o primeiro filme produzido no Afeganistão após a queda do regime Talebãâ€. Filmado com equipamento cinematográfico de ponta, em qualidade de imagem o material não deve quase nada à massa de filmes que Hollywood produz hoje para lotar as salas comerciais. Mesmo a narração do filme parece carregar um carimbo americano de “aprovado†em cada cena: é tudo banalizado, mastigado, simplista demais.

Assim, dizer que Osama se equilibra numa balança entre a propaganda e o cinema é um exagero: o filme sabe muito bem o que é. Distribuído hoje por um grande estúdio americano (a MGM), Osama nunca deixa que o que insurge de cinema, história ou emoção se sobreponham a sua vontade de ser propaganda. Parando para pensar um pouco, o gosto ruim que fica é de ver um filme institucional (daqueles que os Simpsons adoram sacanear) sobre os milagres da libertação ocidental no Afeganistão. Ainda assim, gosto aliviado pela boa condução do filme, capaz de puxar a atenção com habilidade e conduzir quem assiste (só não se sabe para onde).
Indo aos fatos, Osama do título é uma garotinha que perdeu o pai em uma guerra afegã recente. Da família, restam a mãe e a avó. O grande obstáculo é que mulheres afegãs, sob o regime Talebã, não podem exercer qualquer atividade sem a tutela de um homem. Resta a opção de disfarçar Osama (nome tanto feminino quanto masculino na região) em um garoto, conseguindo que ela tanto possa trabalhar quanto estudar.

Com certeza é pedir demais que dentro desse verdadeiro ‘filme educativo’ coubesse também a realidade de que a ‘libertação’ trouxe tantos outros novos/velhos abusos. Mas não seria exagero pedir para ser poupado de cenas em que, quase olhando para a câmera, os atores (não profissionais) quase recitam que ‘o-regime-taleban-oprime-as-mulheres-e-toma-
todos-seus-direitos-malditos-talebansâ€. Tudo bem que Osama, na história em que conta e na figura da menina, seja realmente cativante. Mas até Rambo era menos explícito em suas ideologias.

Não é o cúmulo da sutileza, mas tem seus bons momentos...

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