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Várias mentes brilhantes

02.08.06

por Priscila Kallfelz

A prova

(Proof, EUA, 2005)

Dir: John Madden
Elenco: Gwyneth Paltrow, Anthony Hopkins, Jake Gyllenhaal e Hope Davis

Princípio Ativo:
relações numéricas entre variáveis indeterminadas = relacionamento humano

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Catherine (Gwyneth Paltrow) passou os últimos anos de sua vida cuidando do pai Robert (Anthony Hopkins), um gênio da matemática que sofria com a esclerose. Às vésperas de seu aniversário de 27 anos, a moça, que largou a faculdade e se isolou dos amigos e do resto do mundo pela necessidade de dedicação integral ao matemático, se vê sozinha e com medo, temendo enlouquecer como o pai.

Os frutos de sua angústia são interrompidos por Hal (Jake Gyllenhaal), um ex-aluno de Robert que deseja buscar nos 103 cadernos escritos pelo mestre, durante a doença, algo de útil para a matemática e para sua tese. Neste momento, reaparece a figura de Claire (Hope Davis, de “Anti-Herói Americano”), a prática irmã mais velha que, depois de tanto tempo vivendo em Nova York longe dos problemas do pai e da caçula, volta para o enterro pretendendo vender a casa e levar a irmã para a cidade grande.

Misturando os pensamentos afetados de Catherine com o duro momento que ela vive, a trama do diretor John Madden se desenrola em cima do sentimento que o nerd – e baterista – Hal assume ter pela garota. Além da divergência de comportamento entre as irmãs, que se revelam mulheres totalmente distintas, apesar do estreito parentesco. Quando Cathe e Hal se envolvem, à medida em que se entrega a algo real entre os dois, a jovem consegue se desprender da complexa realidade em sua mente. E, nesse contexto de intimidade e cumplicidade, Cathe compartilha com Hal o único caderno do escritório do pai com uma prova capaz de revolucionar o conhecimento matemático.

Eis que surge a dúvida: Hal e Claire acham ter motivos para acreditar que as preciosas anotações foram feitas pelo pai. Cathe - que interrompeu os estudos de matemática - afirma que o caderno é obra sua. A inicial falta de confiança nas afirmações da garota, que parece estar à beira da loucura, leva Cathe a um labirinto mental, com falsas saídas e um desfecho surpreendente. Labirinto que acaba a conduzindo por um novo caminho a ser traçado em sua vida, interrompida pela doença do pai.

Em “A Prova”, a mente - tão venerada pelos adoradores da razão - se mostra influenciada por elementos não tão estáveis assim: os sentimentos, essenciais e intrínsecos às relações. As razões matemáticas se contrastam com as incertezas pessoais de cada personagem. Nesse contexto, a trama revela que, em se tratando de equações humanas, mais importante que ter certeza é acreditar. E que a prova fundamental é, enfim, uma prova de confiança.

Ele: “eu já tentei me envolver com mulheres, mas elas eram loucas...”

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