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Vice Invicto

26.08.06

por Igor Costoli

Miami Vice

(EUA, 2006)

Direção: Michael Mann
Elenco: Colin Farrell, Jamie Foxx, Gong Li, Luis Tosar, Naomie Harris, John Ortiz, Ciarán Hinds, Justin Theroux

Princípio Ativo:
Uma câmera de mão e uma adaptação na cabeça

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Ao final do filme, surgem os créditos e a grande dúvida: por que o longa se chama Miami Vice? Como alternativa mais plausível, apelei para a infâmia, porque Miami é a segunda de todas as opções do roteiro. Miami ou Havana? Miami ou Ciudad del Este, Paraguai? Miami ou República Dominicana? O único caso em que o paraíso brasileiro das compras venceu foi no confronto com a Louisiana.

Infâmia à parte, a adaptação da série policial homônima dos anos 80 traz Jamie Foxx (Ray) como Ricardo “Rico” Tubbs (papel originalmente vivido por Philip Michael Thomas) e Colin Farrell (Pergunte ao Pó) como James “Sonny” Crockett (no papel que coube a Don Jonhson). O sucesso do seriado se devia a uma fusão que define a década perdida: a mistura entre o brega e o cool, devidamente representados por Foxx e Farrell, não necessariamente nessa ordem.

Agentes à paisana da divisão antinarcóticos, os detetives encaram uma organização criminosa internacional. Com o roteiro que poderia pertencer a qualquer filme do gênero, o diferencial da película coube inteiramente ao diretor Michael Mann. Produtor executivo da série nos anos 80, ele melhor que ninguém tomou o cuidado de fazer desta adaptação algo especial.

O maior mérito do longa não está no conteúdo, mas na forma como foi feito. Esteticamente, une “O Resgate do Soldado Ryan” com os “vídeos incríveis” de perseguições policiais. Rodado em digital de alta-definição, a fotografia de Dion Beebe (vencedor do Oscar por “Memórias de uma gueixa”) é um dos trunfos do longa. As cores fortes e a imagem granulada trazem consigo o calor infernal dos trópicos e encheram “Miami Vice” de um realismo que Mann tornou ainda mais crível, usando câmera de mão colada aos atores e uma violência crua estilizada.

Como homenagem à série original, parece pouco. O roteiro (e seus pequenos buracos) não ajuda. Como blockbuster de ação, está bem acima da média, graças aos cuidados e bom uso dos recursos à disposição. E para quem se habituou a procurar críticas à interpretação de Colin Farrell, sinto desapontá-los: um personagem que usa aquele bigode está, obviamente, acima do bem e do mal. Fica pra próxima...

Você não resiste ao bigode, confessa...

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