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Sobe o som

08.03.05

por Lívia Bergo

Be Cool

(Be cool, EUA, 2005)

Direção: F. Gary Gray
Elenco: John Travolta, Uma Thurman, Vince Vaughn, Cedric Entertainer, André 3000, Christina Milian, Harvey Keitel, The Rock.

Princípio Ativo:
Música, muita música

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Sim, Chili Palmer está de volta. E para quem achava que seu figurino sempre preto era uma fixação do diretor de “O Nome do Jogo”, Barry Sonnenfeld (o mesmo de MIB: Homens de Preto), nada feito. Os modelitos continuam os mesmos, e nos seus cabelos... nenhuma diferença.

É claro que para tudo há uma razão: apesar de ter deixado de lado sua vida de gângster e sua carreira no cinema, Chili agora investe na indústria fonográfica, onde seu jeito frio e objetivo rende bons frutos. Há quem confunda essa frieza com uma má atuação de Travolta. Mas o que importa mesmo é que ali esse ar ainda lhe cai bem.

Novamente produzido pela empresa de Danny DeVito, que dessa vez faz apenas uma ponta, o roteiro de Peter Seinfeld é mais simples que o antecessor, mas não necessariamente pior. O argumento, porém, é um pouco repetitivo, já que tenta sugerir que, assim como Hollywood, o mundo da música pode ser muito parecido com o da máfia.

A trilha sonora, sim, parece ser fruto de uma grande pesquisa e traz desde “Crying”, com o Aerosmith, até “You ain’t woman enough”, com The Rock, e “Roda”, de Elis Regina.

Tão eclética quanto ela é o elenco, que varia entre atuações caricatas, como a de Vince Vaughn interpretando um empresário “gangsta”, e desanimadas, como a de Uma Thurman, par romântico de Travolta. Também Christina Milian, a candidata a Beyoncé que chama atenção nos trailers do filme, deixa muito a desejar e parece ter se dividido entre as interpretações dramática e vocal, sem obter êxito em nenhuma delas. É provável que o diretor concorde com essa avaliação, já que sua personagem, que era o fio condutor da nova história de Chili na indústria pop, ficou bastante apagada na edição final.

The Rock, astro do wrestling norte-americano (o nosso telecatch), é a grande surpresa do filme, atuando como um segurança samoano gay com pretensões artísticas. Destaque para a cena em que, pretendendo convencer Chili de seu talento, interpreta de maneira hilária um “monólogo” extraído de “Teenagers - As apimentadas”, no qual faz o papel de Kirsten Dunst e Gabrielle Union, ao mesmo tempo. Cogita-se que esse personagem seja uma sátira a Pat Patterson, grande nome do wrestling e assumidamente homossexual. Verdade ou não, The Rock afirma, saindo à francesa, que ele foi uma grande influência, não para seu papel no longa, mas para a vida.

Por fim, e talvez menos importante, a tão falada cena da dança entre Uma Thurmam e John Travolta. Bem, não é nada que se compare à energia de “Os Embalos de Sábado à Noite” ou à unicidade de “Pulp Fiction”, mas ouvir a versão de Black Eyed Peas para “How Insensitive” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes), já vale o ingresso. Eu não disse que a trilha sonora era eclética?

Dance? Que nada! Isso é Dois Pra Lá, Dois Pra Cá.

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