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“I hate everyone”

25.10.06

por Juliana Borborema

Pequena Miss Sunshine

(Little Miss Sunshine, 2006)

Dir: Jonathan Dayton e Valerie Faris
Elenco: Greg Kinnear, Steve Carell, Toni Collette, Alan Arkin, Paul Dano, Abigail Breslin

Princípio Ativo:
Férias frustradas

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Uma família desajustada sai de viagem de carro. Tudo dá errado, eles aprendem a conviver um com o outro e voltam muito mais unidos pra casa. Se você achou tudo isso uma seqüência de clichês, pode ter certeza que em “Pequena Miss Sunshine” eles param por aí. Embora possua uma coluna vertebral bem manjada, o filme surpreende e arranca boas – e sinceras! – gargalhadas.

A trama gira em torno da família Hoover, que decide pegar a estrada a fim de levar a caçula Olive (Breslin) para participar de um concurso de beleza. Olive, aliás, é a única que parece se divertir em meio aos tumultos. Além da aspirante a Miss, completam a confusão o adolescente Dwayne (Dano), o pai Richard (Kinnear), a mãe Sheryl (Collette), o tio suicida Frank (Carrell) e o avô viciado em heroína Edwin (Arkin).

A apresentação inicial da família também foge às regras e, quase à la Amelie Poulain, introduz cada um de maneira simples, eficiente e natural. Naturalidade, aliás, é o que mais se encontra neste filme-família. Apesar de quase parecer impossível tantas pessoas estranhas reunidas em uma mesma casa, a película mergulha essa estranheza em um pote de açúcar. Isso faz com que se perdoe qualquer (rara) tentativa fracassada de fazer rir.

Considerada uma das melhores produções pequenas do ano até agora, o filme conta com atuações brilhantes, sem exageros ou caricaturas (típico de comédias nonsense) e piadas coerentes e absurdamente verossímeis, que faz com que mesmo o menor e mais discreto bocejo na sala de cinema seja quase impossível.

No meio de tantos veteranos, Abigail Breslin, de apenas dez anos, se destaca. Mostrando que não quer deixar Dakota Fanning dominar o espaço de atrizes infantis, Breslin encontrou o ponto ideal em uma personagem que mantém a inocência e a alegria num ambiente marcado por conflitos e desilusões.

A dupla de diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris também merece aplausos no final da sessão. Os dois mostram que são muito mais competentes do que os clipes do Red Hot Chilli Peppers indicavam. Praticamente estreante em longas, o casal consegue fazer comédia dramática com o que de melhor existe em ambos os gêneros. Evitam cenas nojentas e pastelão ou extremamente piegas e divertem até quem não é chegado no gênero.

Talvez a impressão final é de que este seja um filme com ares de “Sessão da Tarde”, mas nem por isso sem qualidade. Sem dúvida, o sucesso do Festival Sundance foi uma grata surpresa do Festival do Rio. “Pequena Miss Sunshine” se mostra engraçado e não deixa nada a desejar a qualquer comédia, pipoca ou não, made in Hollywood.

E você pensava que sua família era estranha!

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