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O peso da coroa

26.10.06

por Isabel Furtado

Justin Timberlake – FutureSex / LoveSounds

(SonyBMG – Jive, 2006)

Top 3: “Sexy Back”, “FutureSex/LoveSound”, “My Love”.

Princípio Ativo:
Pose

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Quando fui chamada para escrever sobre o novo do Justin pensei que seria um grande desafio, já que música para dançar norte-americana não é o tipo de coisa que ando escutando. Aceitei apreensiva, sem imaginar que meus tempos de fã incondicional da rainha das pistas e que os conhecimentos adquiridos ao longo de várias horas de “La Isla Bonita” no repeat seriam de alguma serventia na minha vida adulta.

É crueldade com qualquer aspirante ao trono pop ter Madonna como base de comparação. Infelizmente, o mundo é mesmo cruel, e acho que Justin não quer competir com ninguém menos que a melhor. Então, vamos logo aos fatos.

A pose, o moço tem. Deixou de lado a cara de anjo ao raspar a cabeleira encaracolada, passou a vestir ternos bem cortados, anda fazendo cara de mau, chuta a bola de espelhos, dança bonito. Também faz charme quase cobrindo os olhos azuis com chapéu numa tentativa vã de fazer lembrar um jovem Sinatra. A qualidade, ele também tem. Os anos no show business lhe renderam muita experiência e boa capacidade vocal. Ele até recorda a boa fase de Prince quando canta em falsete. A produção de qualidade tampouco deixa a desejar. Os arranjos são clean e bastante modernos, o que é bom, mas também perigoso, pois o disco pode soar velho em pouco tempo.

Mas Justin, mesmo com todos esses atributos, ainda não deu conta de colocar a pesada coroa na própria cabeça.

A verdade é que as músicas de FutureSex / LoveSounds são chatas. Muito chatas. Faltam bons refrões. O refrão colante não passa de um amigo imaginário. As músicas são longas e monótonas. Falta dinâmica e emoção. Falta aquilo que faz os fãs de Madonna dançarem a noite inteira ininterruptamente. Outro problema muito grave, talvez o mais grave de todos, é que Justin ainda não conseguiu se livrar das suas origens boybandianas. Ele tenta com algum afinco, reconheço seu mérito, mas só faz isso na aparência. Algumas músicas soam tão N’Sync que dão até enjôo.

Isso tudo misturado às incursões de linhas de rap que insistem em aparecer em todos os álbuns pop americanos desde 98, resulta em uma combinação bastante indigesta.

Dois ou três bons hits, daqueles que você reconhece de cara e já começa a bater o pezinho de acordo com o ritmo, seriam o suficiente para resgatar FutureSex / LoveSounds de um ostracismo quase lounge e transformá-lo no disco dançante que ele sempre pretendeu ser.

Ele quebra a bola de espelhos, mas a pista de dança continua sem um arranhão

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