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Eles querem ser grandes

30.10.06

por Lígia Souza

The Killers – Sam’s Town

(Universal, 2006)

Top 3: “When You Were Young”, “Read My Mind” e “Bones”.

Princípio Ativo:
Ambição

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Sempre que uma banda lança seu segundo CD, os fãs temem que o som seja muito parecido ou diferente do primeiro. Qualquer um dos dois é motivo para críticas. Admito que perdi esse medo depois de You Could Have It So Much Better, do Franz Ferdinand. Mas o fantasma desse temor volta às vezes.

Depois de dois anos, finalmente os norte-americanos do The Killers lançam seu segundo trabalho, Sam’s Town. Há tempos já se ouvia falar dos boatos e declarações sobre o som desse álbum novo. Por exemplo, o vocalista Brendon Flowers disse que as canções seriam mais americanas. Sinceramente, não senti essa diferença. O que se nota é a maior presença das guitarras e a continuação do clima 80’s. Os teclados do começo de “Read My Mind” que o digam.

Mas a banda em si não é a mesma de a Hot Fuss. Eles não querem ser os mesmos, pelo menos. Querem ser grandes, uma banda para tocar em estádio. Imagine um show como o do U2, mas com o Killers. Eles podem até querer, mas isso não é muito possível. Talvez o Coldplay consiga, quando o Bono estiver velho demais para isso – o que deve demorar muito. Pode ser cedo para afirmar, mas talvez o Killers seja indie demais para isso.

Voltando ao CD, que é o assunto que fez você começar a ler este texto. É um álbum, no geral, bom. Só isso mesmo: bom. “When You Were Young”, o primeiro single que foi lançado antes do disco, é a melhor faixa. Uma música realmente legal, mas que não vai fazer o sucesso de “Somebody Told Me” ou de “Mr. Brightside”. O mesmo vale para outras, como “Bling”, a já citada “Read My Mind” ou “Bones”, apesar de nenhuma ser tão empolgante quanto o primeiro single. Vale citar a faixa-bônus, “Where The White Boys Dance”, que deixa a gente se perguntando por que diabos não está no CD de uma vez.

Algumas músicas, no entanto, não são tão grandes como a banda quer ser, caso de “Uncle Johnny”. Mas não é isso que impossibilita o Killers de conseguir fazer o que Franz Ferdinand fez com o segundo petardo, ou o que o U2 faz com seus concertos. O problema é o conjunto mesmo, muito aquém do esperado.

Isso e as declarações do vocalista pouco antes do lançamento, sobre como ele queria matar os emos, como Thom Yorke, do Radiohead, desvia nossa atenção. De certo modo, deixa ofuscado seu talento para escrever músicas pop. Ok, o que a banda fala não resume a música em si, mas deixa a impressão de que se fosse realmente um grande disco, eles não precisariam criar essa polêmica toda bem na época de lançamento. Se Sam’s Town tivesse metade do tamanho da ambição do Killers e desse blábláblá todo, o termômetro macaria 100º fácil, fácil.

A barba é para mostrar como a banda está diferente

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