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Ying Yang belo e sem alma

30.10.06

por Igor Costoli

Flyboys

(Flyboys - EUA/França - 2006)

Dir.: Tony Bill
Elenco: James Franco, Abdul Salis, Philip Winchester, David Ellison, Jean Reno, Martin Henderson, Jennifer Decker

Princípio Ativo:
Para o alto, e avante!

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A parte mais difícil desta resenha foi, certamente, dar a nota ao filme. Flyboys foi um exercício contínuo de superação de si mesmo e subseqüente queda em erros típicos. O desejo de se evitar o filme quando se lê no cartaz “dos produtores de Independence Day e O Patriota” é assustadoramente derrotado quando se vê o trailer. É esse duelo que marca a produção.

O filme conta a história real do Esquadrão Lafayette, um destacamento de soldados americanos que se alista para lutar na Primeira grande Guerra, comandado pelo capitão francês Georges Thenault (Jean Reno, sempre ótimo). Com a postura de neutralidade adotada pelos EUA, estes voluntários tornaram-se os pioneiros numa guerra que começava: a dos pilotos de caça. Movidos por honra, fuga do passado, gratidão ou coragem, todos vieram a escrever seus nomes na história.

Flyboys não é um filme sobre a guerra, é um filme de guerra, logo o pano de fundo histórico fica por aí. Entretanto, é incrível a diferença de critérios que permitiriam um soldado tornar-se piloto à época, em contraposição com os requisitos altamente rigorosos que se exigem dos pilotos de hoje. Uma visão histórica da diferença dos tempos e da urgência da guerra. De mais a mais, os alemães são desde sempre esses eternos inimigos, tomando o lugar dos russos neste Top Gun de época.

O trabalho por trás das câmeras merece aplausos devidos e vaias devidas. O roteiro de Blake Evans (Sintonia do Amor) peca por não fazer jus à história que tinha em mãos, ainda que alguns escapes cômicos funcionem. Henry Braham está de parabéns por manter leigos achando que filmes com boa fotografia são sempre aqueles rodados na França (o que estaria incorreto no caso, já que a locação foi a primavera Britânica). Já a edição é uma incógnita que se supera nos ares e tropeça fácil quando em solo.

O diretor Tony Bill é outro que vai pelo mesmo caminho, principalmente no romance entre o soldado Blaine Rawlings (Franco) e a francesa Lucienne (Jennifer Decker). A coexistência de bons e maus momentos nos faz especular a existência de dois diretores, um capaz de tornar essa história paralela cativante e outro que faz dela um desgastante clichê.

No geral, de tanto querer emocionar, acabou falhando. Mas de tanto querer impressionar, acabou por comandar grandes tomadas de ação. E assim como os pilotos foram aos poucos evoluindo, as acrobacias também o foram, e quando já se esperava um mais do mesmo vem a seqüência do dirigível, e o cinema de ação nos brinda com o que faz de melhor: encher os olhos de fantasia.

"E depois da guerra, podemos sair pra pegar umas gatinhas francesas..."

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