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Chamada para o fim do mundo

03.11.06

por Igor Costoli

Uma Verdade Inconveniente

(An Inconvenient Truth, EUA, 2006)

Dir.: Davis Guggenheim
Elenco: Al Gore

Princípio Ativo:
A verdade. Cientificamente comprovada

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Hello. I’m Al Gore, and I used to be "the next president of USA"
Assim o protagonista se apresenta ao público. Nessas duas frases, Al Gore mostra o que este filme tem que faz uma idéia aparentemente inviável funcionar.

Hello. Começando de forma bem compreensível

Do lado de cá do Equador, acredito que poucas são as pessoas que tenham muito a descobrir. Qualquer um com um ensino médio e fundamental beirando o razoável tem uma consciência mínima do que é o aquecimento global. Mesmo assim, o filme ainda tem o que mostrar.

Palestras são chatas. Teleconferências, nem se fala. Davis Guggenheim (24 horas) consegue, então, o que parecia impossível. Transforma palestras sobre aquecimento global em algo capaz de manter o espectador atento. Nessas horas vemos o que é cinema. Há um bom roteiro, que faz com que os dados nos sejam apresentados não apenas de forma clara, mas em momentos precisos da narrativa. Em termos de fotografia, os pólos, a Groenlândia e outros cantos do mundo compõe um cenário “conhecido” do público.

I used to be the next president of the USA. Humor.

“Eu queria levar esta mensagem da maneira mais clara, ao maior número de pessoas possível”. Feito realizado. Al Gore faz esse tipo de palestras desde os tempos de vice-presidente do governo Clinton. Boa presença de palco, bom uso da voz e de sua figura pública, e o melhor: convence.

O longa ainda escapou de um risco claro, o de ser por demais panfletário. Toda a ideologia anti-Bush está ali, em argumentos e números, e com tiradas boas. A verdade inconveniente alfineta políticos, jornalistas, empresas, mas consegue não fazer disso o principal elemento do filme, como aconteceu com Fahrenheit 911. Há espaço ainda para um divertido trecho de animação, extraído da série Futurama. Legal, mas aí Michael Moore leva vantagem com a participação de South Park em seu Tiros em Columbine.

I’m Al Gore. E a luta de um homem

Os respiros da palestra acontecem intercalando momentos da vida e depoimentos de Gore. Infância, juventude, vida política, razão de sua luta. Pretensamente emocional, o longa não precisava tanto disso. Nesses momentos vem à mente a lembrança: é um americano falando. Isso explica alguns momentos contrangedores ("somos capazes, nós já vencemos o comunismo"). Explica também o american way of acreditar na figura do herói, o homem para resolver nossos problemas. Explica, mas não justifica, claro.

Uma Verdade Inconveniente é, ao final, um filme que poderia oscilar entre o 60 e o 70, mas sobre um tema que merece 100 da nossa atenção.

"Eu era segunda opção para 'A Marcha dos Pingüins'..."

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