Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Nem sempre as belas pernas podem caminhar sozinhas

09.11.06

por Pablo Moreno

Fergie, The Dutchess

(Universal, 2006)

Top 3: “Fergalicious”, “All that I got” e “Mary Jane Shoes”.

Princípio Ativo:
Gritos

receite essa matéria para um amigo

Desde que o mundo é pop funciona assim: a banda surge, faz sucesso, a vocalista bonita vira ícone de moda, estilo e comportamento. Passa um tempo, o grupo lança alguns CDs, tira férias e a vocalista bonita sai em carreira solo. Às vezes fica bom, noutras... bem, vamos lá!

Depois de dois álbuns de muito muito sucesso, Fergie resolveu andar com as próprias pernas (depois de “My Humps” o mundo viu que ela tem coxas pra isso). E assim, a boazuda convidou o mentor do Black Eyed Peas, Will.I.Am, para produzir seu primeiro álbum solo (Qual é a graça de chamar o líder da banda dela pra produzir o disco solo?).

Em “London Bridges”, o primeiro single, Fergie grita para quem quiser ouvir coisas que a colocam lado-a-lado de Eminem. Na letra, ela se orgulha de se vestir como uma dama e dançar como uma vadia nesse rapzinho chato e escandaloso. A faixa é irritante, e o personagem da dama-vadia não nos diverte tanto quanto o da “putinha interesseira” de “My Humps”.

Mas não só de “rap machinho” vive o CD. Em alguns momentos, Fergie encarna a Christina Aguilera de “Gennie in a bottle” e grita. Grita como se o mundo fosse acabar. É o que acontece em “Velvet”, “Big Girls don’t cry”, “Losing my ground” e “Finally”. As canções são entediantes. Se fossem mais canções e menos atestados de extensão vocal, a dinâmica seria melhor, mas o povo quer mesmo é gritaria.

Como toda cantora em início de carreira (solo), The Dutchess é recheado de participações especiais. Do colega-produtor Will.I.Am, à sua banda toda, passando por Rita Marley – sim, mulher do Bob – e Ludacris, Fergie se cerca de colaboradores que trazem bons momentos para o álbum.

A participação de Rita Marley em “Mary Jane shoes” é uma das tábuas de salvação. Até que enfim um pouco de melodia! O reggaezinho com sampler de “No woman no cry” é ótimo pra ouvir no carro de manhã. Tem até um trechinho ska. A música podia ser até maior, já que os quatro minutos logo acabam e a gente volta aos “maneirismos” e “aguilerismos”.

Em entrevistas sobre o disco, Fergie contou que The Dutchess é autobiográfico e que a maioria das letras fala de seus relacionamentos, de seu vício com as drogas e blábláblá. O lançamento do CD foi uma grande manobra da gravadora pra descolar uma graninha a mais. O resultado, porém, não é bom.

Apesar de todo o sucesso de “London Bridges”, The Dutchess ainda não consegue manter Fergie de pé sobre os pernões que a consagraram. É preciso se escorar nos ombros de seus três parceiros de banda um pouco mais até ganhar equilíbrio. Quem sabe daqui a alguns anos.

Tem gente que nasce com a bunda virada pra lua

» leia/escreva comentários (41)