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Dez rounds para relembrar

13.02.07

por Thiago Vetromille

Rocky Balboa

(Idem – EUA/2006)

Dir.: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes, Antonio Tarver, James Francis Kelly III

Princípio Ativo:
uma porrada de memórias

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Assistir a Rocky Balboa foi realmente como ver uma luta de boxe. É um espetáculo não muito agradável que você não consegue parar de assistir e, parando para pensar sobre o assunto, foi até divertido. O melhor do filme é relembrar todos os outros filmes da série “Rocky”. Se você é um fã (como um senhor que sentou ao meu lado no cinema e vibrava a cada soco que Stallone acertava em Antonio Tarver), vai se divertir muito.

Dá até pra dividir tudo em assaltos. Logo no primeiro gongo já temos a primeira referência ao filme inicial, de 1976, O título passa com a música-tema de Rocky, Gonna Fly Now, tocando. Até o terceiro assalto, vem a reintrodução dos personagens. O mesmo lutador italiano de boca torta, o mesmo ‘empresário’ bêbado, o mesmo filho bocó. Até os lugares são os mesmos, agora tão acabados quanto Stallone. A ressalva é a simulação da luta entre Rocky e Mason Dixon, saída, no mínimo, de um computador (muito) barato. É ela que traz Balboa de volta aos ringues, mas certamente não é uma das melhores coisas que já vi na minha vida.

No quarto assalto, uma lembrança bem divertida. Temos a primeira fala profunda de Rocky em que não dá pra entender absolutamente nada. O personagem se torna carismático de novo, o injustiçado, tentando, de qualquer forma, voltar a lutar para tirar as “coisas do porão”. E o filme se arrasta bem morno pelos próximos dois rounds.

No sétimo, uma montagem de treinamento daquelas que chegam a dar saudade da década de 80. A música tema, o Stallone levantando peso, correndo, subindo escada e rejuvenescendo 3 anos a cada 15 segundos. Por fim, chega ao topo da escadaria da biblioteca da Filadélfia e se torna a máquina de moer ossos que conhecemos.

É depois disso que chegamos na luta propriamente dita. E aí, é ver um homem apanhar. E apanhar, apanhar, mas resistir bravamente, no melhor estilo Rocky. A torcida, o público, todos estão do lado de Stallone. Até eu consegui ficar tenso durante a luta. Mas há coisas mais interessantes, como uma homenagem visual a “Touro Indomável” do Scorsese. E o fim, bem, é melhor assistir.

Após essa experiência, nada me tira da cabeça que Stallone fez esse filme para mostrar que ainda está em forma. Porque, se fosse só para lembrar dos outros Rocky’s, bastava fazer uma caixa comemorativa de 30 anos com todos os dvds e vender a preços absurdos, não havia necessidade para um filme.

Porque a música-tema diz Califórnia se o filme se passa na Filadélfia?

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