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Kazakhs go home run!

28.02.07

por Igor Costoli

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan

(EUA, 2006)

Dir.: Larry Charles
Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell, Pamela Anderson

Princípio Ativo:
Abaixo a noção! Yeah!

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Imagine Repórter Vesgo e Sílvio Santos nos EUA, debochando de congressistas, professores, feministas e americanos comuns e típicos, fingindo rodar um documentário. Por serem completamente desconhecidos por lá, consegue imaginar a liberdade de ação e a falta de limites que teriam? Pois bem, os ingleses chegaram primeiro.

A personagem-título do falso documentário é Borat Sagdiyev, repórter do Cazaquistão, enviado à América para conhecer a cultura do maior país do mundo. Borat é cria do comediante inglês Sacha Baron Cohen, que o lançou no “Da Ali G Show”, da tv britânica. Em 2005, foi convidado para apresentar o MTV Europe Music Awards, em Lisboa. Detalhe: convidaram Borat, e não o gajo Baron Cohen.

Para entender a cotação dada ao filme, ensino o leitor como ler este termômetro pela lei da inversão direta. Se curte humor negro (pra não dizer humor sujo), adora o politicamente incorreto e sente um prazer babaca quando vê South Park, a cotação é 80º mesmo. Se você é o extremo oposto, inverta o termômetro para 20º e fuja.

Sob o disfarce de uma cultura completamente diferente, o joselito cazaque segue seu caminho com relativa facilidade. Relativa porque, de piadas inocentes como se apresentar a todas as pessoas no metrô e nas ruas de Nova York (sempre com beijos no rosto, homens inclusive) ao cúmulo de se masturbar na rua olhando a vitrine de uma loja de lingerie, Borat e sua produção foram alvo de quase uma centena de chamados à polícia.

Cohen não parece dirigido por ninguém, apenas entregue ao inconseqüente repórter. Mesmo assim, não é possível acreditar que tudo no filme seja 100% real. Durante sua estadia nos US and A, Borat se apaixona por Pamela Anderson, mudando os rumos de sua aventura para a Califórnia – e é impossível deixar de se questionar se a seqüência em que finalmente encontra-se com Pamela não tenha sido produzida.

Entretanto, Borat muda seu comportamento quando dentro de uma igreja evangélica. E é nesse momento, no lampejo da noção de perigo e respeito, que percebemos ser real: ele sabia estar num terreno onde não poderia brincar. Não há dúvidas de que uma única piada em falso e Cohen seria crucificado ali mesmo. Ponto pra Borat, que conseguiu fazer sua crítica sem ofender a todos ali.

Crítica. Querer encontrar uma alfinetada à hipocrisia americana, ou mesmo partir do longa para entender a completa inaptidão do americano pra lidar com uma cultura diferente, bem, pode parecer muito. Mas o fato é que esses dois elementos estão lá. Eles, e a seqüência de perseguição mais obscena, nojenta e ridiculamente engraçada da história do cinema.

"verás que o filho teu não foge à piada, nem teme os republicanos do interior do texas"

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