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Johnny vai ao inferno (e leva você junto)

01.03.07

por Daniel Oliveira

O Motoqueiro Fantasma

(Ghost Rider, EUA, 2007)

Dir.: Mark Steven Johnson
Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Peter Fonda, Wes Bentley, Matt Long, Raquel Alessi, Donal Logue

Princípio Ativo:
Água mole, pedra dura. Tanto bate...sacou, né?

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Para não dizer que não falei de flores: Os efeitos especiais da transformação de Johnny Blaze (Cage) em Motoqueiro Fantasma são convincentes. E a atriz Raquel Alessi, que interpreta a jovem Roxanne (Mendes), é bem bonita.

(What’s the story?) Morning catastrophe: De resto, nada funciona em “Motoqueiro Fantasma”. O roteiro (do próprio Mark Steven Johnson) é tão batido que furou. Furou não, esburacou. Johnny Blaze é um cara legal. Faz uma burrada. Sofre um trauma. Luta para superar o trauma. Salva o mundo e se torna um cara melhor.

O filme é uma série de esquetes de sitcom, frases de efeito vergonhosas e diálogos nem um pouco inspirados proferidos por atores em péssimas atuações. Há ainda um tal Contrato de San Venganza – um McGuffin sem-vergonha para disfarçar o roteiro-roquefort. Se o dito-cujo Mefisto (Fonda, pessimamente aproveitado) fosse tão poderoso e maligno como sugerido, não seria ele capaz de recuperar o documento ele mesmo?

Minha perdida Eva: E se você é daqueles que acha que o diretor Mark Steven Johnson fez um serviço porco em “Demolidor”, não sei qual animal descreveria isso aqui. Após a seqüência da perseguição até o topo do prédio, o diretor comete o erro primário de colocar Roxanne entre os policiais e o Motoqueiro, no meio do tiroteio! Só que em um close ela tem os policiais atrás dela. Corta. Close de novo e os policiais não estão lá. Se alguém descobrir onde ela está ali, me mande um email.

Incompetente com os atores e sem ritmo, Johnson ainda ofende a memória do cineasta Sergio Leone, imitando de forma irritante os super-closes nos olhos dos personagens durante os confrontos.

Faceless man: Com um roteiro tão fraquinho, Nicolas Cage faz do Motoqueiro uma mistura de outro Johnny, o Storm - o jeitão de celebridade, a moto em uma mão e as chamas em outra; Jack Sparrow – trejeitos de rockstar decadente e tiradas engraçadinhas; e o Exorcista, com seu “Olhar de penitência”. Só que ele não tem mais a idade de Chris Evans (aliás, o ator Matt Long, que interpreta Blaze jovem, já é candidato à Framboesa de Ouro, junto com Eva Mendes), nem o talento de Johnny Depp – e muito menos uma coadjuvante como Linda Blair.

Disso resulta um protagonista que não fede nem cheira: ele quebra o pescoço e é esmagado por um caminhão logo no começo - e não morre. Não há pelo que temer e química é algo que Cage e Mendes não chegam perto de ter. Para a infelicidade de Cage, fã do personagem, o tal “Olhar de penitência” deveria ser usado em Mark Steven Johnson, pelo tempo e dinheiro gastos pelos inocentes espectadores desse filme no mundo inteiro.

Decidi poupar Cage e a peruca ridícula dessa foto. Um dia, ele vai me agradecer.

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