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Música & Letra – feitas uma para a outra

01.03.07

por Daniel Oliveira

Letra e música

(Music and Lyrics, EUA, 2007)

Dir.: Marc Lawrence
Elenco: Hugh Grant, Drew Barrymore, Brad Garrett, Haley Bennett, Kristen Johnston, Campbell Scott

Princípio Ativo:
Grant & Barrymore

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Se Hugh Grant fosse nos anos 80 o que ele é hoje, ele poderia ter sido um astro da música! O quadril e o rebolado que ele revela nos números musicais do decadente Alex Fletcher, astro esquecido dos anos 80 que se apaixona por uma letrista (Barrymore) em “Letra e música”, seriam o passe de dança da década. O ator ainda encarna bem a aceitação do personagem, que sabe ser uma piada ambulante, principalmente nas shows insólitos em que dubla seus hits jurássicos.

Alguns o comparariam a George Michael – mas isso é maldade por trás de outras coincidências que envolvem os dois e que não fazem jus ao elegante sotaque britânico de Grant.

Se Drew Barrymore vivesse nos anos 80, bem...ela viveu. E fez “E.T.”, o que garantiu seu lugar no céu. Mas se ela tivesse a cabeça que tem hoje, não teria feito tanta burrada depois e estudaria para se tornar uma atriz um pouco melhor. Não que ela esteja ruim como a atrapalhada letrista Sophie, mas ela pode mais – evidente na cena do banheiro com Alex, após encontrar o ex-namorado.

Se a música “PoP goes my heart” tivesse realmente sido feita nos anos 80, teria sido definitivamente um hit. O sucesso do ex-grupo de Alex, PoP, tem um refrão grudento e um videoclipe que, suspeito fortemente, foi o motivo para Marc Lawrence ter escrito e dirigido esse filme todo. Aliás...

Se o diretor Marc Lawrence vivesse nos anos 80, poderia ter recebido algumas dicas de Rob Reiner (Harry & Sally) ou Ivan Reitman. A falta de timing do diretor em algumas cenas e a queda do filme na segunda metade do roteiro são visíveis. Elas comprometem um longa que poderia ter sido um clássico da comédia romântica e divertir horrores, mas se contenta apenas com o segundo. Lawrence pensou que para mostrar a superficialidade da letra dos hits oitentistas, ele tinha que criar falas e um romance superficial.

Se “Letra e música” tivesse sido feito nos anos 40, ele poderia ter caído nas mãos de um Ernst Lubitsch ou Billy Wilder, mestres do gênero, com diálogos mais ácidos e direção mais ágil. As cenas em que Sophie deixa repetidamente suas coisas em cima do piano de Alex, aliás, é puro Lubitsch. Haveria também atores melhores nos papéis do amigo do mocinho e amiga da mocinha – fundamentais na comédia romântica clichê.

Mas seria difícil achar uma dupla com tanta química quanto Grant e Barrymore. É a diversão dos dois - e o clipe de “PoP goes my heart” - que salvam o longa da mediocridade, mesmo que eles não segurem bem o dramalhão do ato final. Segundo Lawrence, para apreciar os anos 80 é assim: esqueça o significado e a emoção – e abrace o kitsch e o chiclete (pop).

“I said I wasn't gonna lose my head, but then POP! Goes my heart...”

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