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Live fast, die young. Young?

29.03.07

por Carol Macedo

The Stooges – The Weirdness

(EMI, 2007)

Top 3: “Idea of fun”, “Mexican Guy” e “Greedy Awful People”.

Princípio Ativo:
Abstinência + letras weird

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Era uma vez...

Do final da década de 60 até o início da seguinte, os Stooges faziam um roque agressivo e sem firula, imersos em um universo de drogas, sexo e experiências kamikazes. Entre um ‘pico’ e outro, o (então) jovem Iggy Pop subia ao palco e se apresentava em performances arrasadoras. Brigas com o público, automutilação, stage dives, além de fanfarrices com pasta de amendoim faziam parte do show.

O resultado da combinação “stoogiana” de música crua e filosofia live fast, die young não foi exatamente um sucesso comercial, mas abriu passagem para o surgimento do punk rock. Em 1974, o quarteto de Michigan se separou, mas, apesar da duração fugaz, tornou-se importante influência para gerações posteriores.

Muitos e muitos anos depois...

Após um hiato de mais de três décadas, Mr. Pop (agora sexagenário) entrou em estúdio acompanhado dos irmãos Ron (guitarra) e Scott Asheton (bateria) e de Steve MacKay (sax) – todos da formação original, além de Mike Watt (baixo), substituto de David Alexander, morto em 1975. Desse reencontro, surgiu o quarto CD da banda, The Weirdness, gravado em menos de duas semanas no final de 2006.

O trabalho ficou nas mãos do produtor Steve Albini (Nirvana, PJ Harvey, Pixies). Com seu método de gravação, ao mesmo tempo conservador e minimalista, Albini tentou preservar a essência da banda, mas sem sucesso. A agressividade veio cautelosa, em doses homeopáticas. O barulho tornou-se um fim, não um meio. Fingiu-se existir atrevimento e vigor adolescentes, mas faltou verdade. Se era para morrer jovem, essa máxima mofou. Afinal, quase todos os integrantes sobreviveram às drogas e demais intempéries. Largaram a vida de excessos, da urgência hedonista. Ficou difícil não enxergá-los (ouvi-los) como um arremedo da banda que um dia compôs e gravou The Stooges (1969), Fun House (1970) e Raw Power (1973).

Se para a música, a passagem do tempo pesou contra, no caso de letra esse critério (supostamente) não deveria valer. Não haveria maiores expectativas, afinal, Iggy Pop nunca foi um letrista da estirpe de Bob Dylan e Leonard Cohen. Entretanto, as canções do disco surpreendem pela completa banalidade. Algumas são sofríveis, outras apenas tolas. Em “Trollin”, Iggy Pop anuncia: “meu pau está se transformando numa árvore”. Em “Mexican Guy”, ele avalia: “talvez eu deva engolir um pequeno comprimido, talvez eu deva ir ver o doutor Phil”.

No geral, The Weirdness não deixa de ser um álbum competente, mas nada além disso. Enquanto os três primeiros discos são urgentes, com cores fortes, The Weirdness não tem pressa e é em tom pastel.

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