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Rockin’ the boat

25.05.07

por Daniel Oliveira

Piratas do Caribe: No fim do mundo

(Pirates of the Caribbean: At world’s end, EUA, 2007)

Dir.: Gore Verbinsky
Elenco: Johnny Depp, Keira Knightley, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Bill Nighy, Tom Hollander

Princípio Ativo:
ainda a dupla Depp-Sparrow

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Quando criança, não brincava muito de pirata. Era mais freqüente o polícia-e-ladrão, que guarda certa semelhança, principalmente com esse “PdC: No fim do mundo”. Lembro que sempre havia:

1- O cara mais criativo e divertido que, apesar de aparecer com as idéias mais insanas e inusitadas, e encarar o jogo como uma enorme brincadeira, vivia um passo a frente de todo mundo e sabia exatamente onde ia chegar. Esse cara é Jack Sparrow.

2- Aqueles que queriam ser o primeiro cara e por isso se esforçavam mais para oferecer concorrência à altura, sempre do lado oposto do dele. Esses são Barbossa (e Depp encontra em Rush um ator à altura para seus diálogos insanos) e Davy Jones (Nighy REALMENTE consegue atuar debaixo daquele CGI).

3- O sujeito que também queria ser o primeiro, mas a inveja simplesmente o tornou arrogante e antipático. Sua competitividade acaba virando maldade e ele se torna um intruso chato na brincadeira. Esse é o Lorde Beckett.

4- Aquela menina que sempre brinca com os meninos, é mais rápida, moleque e inteligente que todos eles – e entende o jogo como ninguém. Você não gosta muito dela porque afinal...ela é menina. Mas um dia você vai. Todos vão. Essa é Elizabeth Swann (Knightley, ótima).

5- E tem aquele que não sacou que é só uma brincadeira e leva tudo aquilo ali muito a sério, falando frases de efeito numa entonação barata. Esse, sempre ridicularizado por todos, é Will Turner.

E para apreciar esse terceiro “Piratas” é preciso que ainda exista essa criança de sete anos dentro de você. É ela que vai querer (muito) brincar com os atores em cena. Se for assistir como um adulto de 20 anos ou mais, vai se perder nas sub-sub-tramas e trocentas reviravoltas do filme e se irritar. Gore Verbinski confundiu desenvolvimento de personagem com desenvolvimento de tramas diferentes para eles. É quase impossível acompanhar as motivações e maquinações de cada um, ou mesmo em qual navio estão.

Isso gerou um filme de 2h47 - e é preciso aqui também que você tenha a energia e o deslumbramento de um moleque de sete anos para não piscar durante a sessão. Caso contrário, você não durará até 1- a cena de ação mais divertida do ano; 2- o casamento com pior timing da história; e 3- Depp (ainda com as melhores tiradas) multiplicado pelas personalidades contraditórias de Sparrow - e na hilária cena com Keith Richards. Até lá, há percalços. A seqüência em Cingapura e o pirata de Chow Yun-Fat só atrasam a história. E isso quase vale para Calypso e sua relação com Davy Jones. Mas sinceramente: a sua criança de sete anos (se você ainda a tem) não vai estar nem aí para isso.

Bloom divide a galera: “Ok, quem quer ser polícia e quem quer ser ladrão?”

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