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Em Busca da Franquia Perfeita

13.06.07

por Igor Costoli

Shrek

(EUA, 2001)


Dir.: Andrew Adamson e Vicky Jenson
Elenco: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, John Lithgow, Vincent Cassel

Princípio Ativo:
O espírito do Bussunda. No bom sentido, é claro...

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Imagine dois monstros de pé, no ringue, após uma luta fantástica. A disputa foi igual e a platéia aguarda a contagem de pontos. E o juiz levanta o braço verde, em vez do braço peludo, indicando o grande vencedor. Essa luta aconteceu em 2002, quando Shrek bateu Sullivan.

O Oscar de Filme de Animação foi criado pela Academia numa época em que a computação gráfica já não era mais novidade, mas uma realidade no cinema. E o ogro verde da Dreamworks levava a melhor contra os Monstros S/A, da Pixar. O ponto de desempate em favor do filme, baseado no livro de William Steig foi a subversão. É o elemento que dá vida ao longa e lhe garante fôlego e diversão maiores que seu concorrente.

Shrek (Myers) é o ogro que vive só e tranqüilo em seu pântano, até que Lord Farquaad (Lithgow) decide expulsar todos os seres mágicos de suas casas. Resultado: a floresta vira abrigo de centenas de figuras dos contos-de-fadas. Irritado com a nova vizinhança, Shrek propõe ao lorde resgatar e entregar-lhe a princesa Fiona (Diaz), para que Farquaad se torne rei. Em troca, o pântano retornaria à sua modorra. Mas o elemento que desde já mostra que nada será como antes atende pelo nome de Burro (Murphy), o novo e fiel escudeiro de Shrek – contra a vontade do monstro verde.

A subversão mora aí. Não é apenas o ogro que salva a princesa enquanto o lorde espera. Shrek levou pra dentro da tecnologia de animação uma sátira de alto nível. O deboche do imaginário dos contos-de-fada, ambiente comum a crianças e adultos, garantiu o sucesso entre os pequenos. Seus disparos certeiros de riso ganharam os adultos com um humor que estava em “Top Gang”, e piadas sem as possíveis ofensas de um “Todo Mundo em Pânico”.

No longa, Farquaad se decide por Fiona diante do espelho mágico, ao estilo dos programas de namoro na tv. Fiona luta como nas cenas famosas de Matrix, e repete gestos de Cameron Diaz em “As Panteras”. Ainda na lista de obviedades, o Castelo de Duloc é uma paródia da Disneylândia. Por consagrar na animação uma fórmula-paródia que define um bom filão cinematográfico, Shrek mostrou bom fôlego para uma continuação, ainda que eu tenha reservas quanto ao terceiro longa (e medo da história de um possível 4).

E no desenrolar de toda esta subversão e deboche, uma fábula vai sendo contada, a do sentimento que nasce entre a princesa e o ogro - e a questão da beleza interior. Talvez por acabar como toda fábula, Shrek mereça perder um pontinho no termômetro. Mas ainda é um bom exemplo de que sempre se pode sair satisfeito do cinema, mesmo com um previsível "felizes para sempre".

Eu tiro é onda

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