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Rehab já!

15.06.07

por Daniel Oliveira

Shrek 3

(Shrek the Third, EUA, 2007)

Dir.: Chris Miller e Raman Hui
Vozes: Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Muphy, Antonio Banderas, Justin Timberlake, Rupert Everett, John Krasinski

Princípio Ativo:
político e correto

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Saí da sessão de “Shrek 3” e fui almoçar. Na hora de pagar, a fila do caixa do restaurante começou a acumular e qual não foi minha surpresa ao descobrir por quê: o gerente havia parado de atender para colar um material de divulgação no vidro do balcão. Agora adivinhem vocês: divulgação de quê? Ou de quem?

Sim, Shrek se vendeu. Depois de Avril abraçar o shortinho rosa e Parker abraçar a franjinha emo, é a vez do ogro verde abraçar mais uma piada fácil para render milhões. E no caso de Shrek, a situação ainda é um pouco pior: afinal, ele nasceu supostamente para criticar os mesmos bichinhos fofinhos e caretas que ele substitui agora nas vergonhosas, gigantescas e milionárias campanhas de marketing e franchising do filme.

Neste terceiro capítulo, Shrek é mais um homem-adolescente-imaturo que descobre: 1- que deve suceder o pai morto de Fiona como o rei de Tão tão distante; e 2- que vai ser pai. Ele então parte com o Burro e o Gato de Botas em busca do primo adolescente que pode substituí-lo no trono: o - ainda não rei – Arthur (ou Artie), resgatando-o de sua vida de loser em uma crítica bobinha ao típico colégio a la High School Musical.

Sim, a animação continua impecável. Sim, há piadas e referências muito boas, como a sátira dos musicais da Broadway no final do longa, ou a transformação de Merlin em um guru de auto-ajuda. Mas sim, a trama é uma típica comédia romântica em que o sujeito (no caso, Shrek) deve amadurecer e se tornar um homem responsável para ficar com a mocinha e ser pai. O que, convenhamos, é o extremo oposto do que os fãs do subversivo ogro dos dois primeiros filmes esperariam dele.

Se os roteiristas tivessem a mínima disposição em manter a sacada originalidade dos longas anteriores, colocariam Shrek do lado da rebelião dos vilões encabeçada pelo Príncipe Encantado (Everett), cansados de sempre se dar mal nos contos de fada. E contra as princesas chatinhas e mal amadas, dubladas pelas desperdiçadas moças do Saturday Night Live. Isso, sim, seria interessante de se assistir. Mas não: eles optam por um final convencional e mais Disney impossível.

É fato que o filme tem um grande trunfo no elenco: Myers, Diaz, Murphy, Banderas e Timberlake provam que, como atores, dublam muito bem. Nem eles, porém, seguram deslizes constrangedores como a presença deslocada de 9 crimes do Damien Rice, em uma seqüência que disputa o troféu de Vergonha Alheia do Ano com a fase emo do Aranha 3. Das ladeiras abaixo que Shrek pode rolar daqui, sugiro que ele escolha aquela que desemboque na clínica de reabilitação mais próxima.

Cadê a graça que estava aqui? Foi embora com o Bussunda.

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