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Juntar as diferenças (com noção) é o que toca

18.06.07

por Rodrigo Ortega

LCD Soundsystem - Sound of Silver

(DFA, 2007)

Top 3: “All my friends”, “North American Scum”, “Time to get away”.

Princípio Ativo:
Amizade espontânea

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Forçar demais a amizade costuma provocar o efeito contrário do desejado. Não adianta colocar o NX Zero cantando de rosto colado com o Armandinho e fazer campanha de publicidade disfarçada de reação espontânea - no fundo a gente percebe que há algo errado. Na real, tudo o que a gente procura são encontros fortuitos, abraços sem segundas intenções e relações que façam algum sentido. O rock e a música eletrônica, por exemplo, nunca fizeram questão de ser amigos. Mesmo assim, começaram a conversar em clubes e apartamentos de jovens entediados de classe média. Dali, era mais que natural (mas não menos que excitante) surgir algo como o LCD Soundsystem.

O grupo é um projeto musical do nova-iorquino James Murphy, fundador do selo DFA, que apostou em artistas como Hot Chip e Rapture. O mentor do "dance-punk" apareceu em 2002 com o single "Losing my Edge" e lançou um CD auto-intitulado em 2005, com a sensacional "Daft Punk is playing in my house". Murphy tocou em São Paulo, em 2004 e em 2006, enquanto preparava o segundo álbum do LCD Soundsystem. O disco vazou vários meses antes do seu lançamento, no final de março nos EUA e ainda sem data no Brasil.

Sound of Silver não é o som do futuro, mas a trilha sonora deste minuto. Pessimista e excitante, tenso e eufórico, reflexivo e despojado são algumas duplas de adjetivos distantes que dão abraços casuais no meio das faixas do LCD Soundsystem. A bomba de sarcasmo e auto-ironia jogada por “Losing my edge” na música pop encontra agora alvos mais sérios. Os versos são comentários desconcertantes sobre relações políticas e pessoais. Mas o que faz realmente a diferença é a inspiração absurda no som.

“All my friends” é uma obra-prima de um tipo particular de canção, que inclui “Heroin”, do Velvet Underground e “Common People” do Pulp. O clímax é atingido não por um refrão, mas pela energia acumulada em versos repetitivos que contam uma história. A música nos dá a ótima chance de decidir que é mais divertido: a versão original, a cover de John Cale, a do Franz Ferdinand, ou ainda o clipe que tem James Murphy com a cara pintada ao estilo “Qual é a Música?”.

Apesar de esta ser a melhor faixa, o resto de Sound of Silver não deve ficar meio ofuscado por uma música, como aconteceu com o primeiro álbum e “Daft Punk”. Em “North American Scum”, Murphy chega ao auge do seu estilo vocal, que mais parece o de um amigo te falando alguma coisa do que um vocalista cantando uma música. É como se você fosse a uma boate com uma música instrumental excelente e uma companhia divertida te contando histórias entre os drinques no bar ("Someone Great", “New York, I love you but you’re bringing me down”) e os pulos na pista (“Time to get away”, “Watch the tapes”).

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