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Em pé nos ombros dos gigantes

24.06.07

por Rodrigo Ortega

Cachorro Grande - Todos os Tempos

(Deckdisc, 2007)

Top 3: "Me faz continuar", "Roda Gigante", "Quando amanhecer".

Princípio Ativo:
Retrovisor e pára-brisa

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“Os cachorros estão soltos, mesmo usando coleira pela primeira vez. As próximas horas serão ainda melhores.”

Assim terminou o capítulo anterior. As coleiras levaram o Cachorro Grande mais longe. “Sinceramente”, “a melhor balada do pop rock nacional nos anos 2000” marcou o fim de uma banda promissora e o início de uma banda realmente grande. Em Todos os Tempos, podemos sentir os movimentos de um grupo que tem a pista livre no pára-brisa e também no retrovisor . A faixa intrumental “Hoje os meus domingos não são mais depressivos”, com uma batida forte e hipnótica e um arranjo bem trabalhado, com muitas cordas e metais, é um pequeno holograma de um disco coerente e de uma banda que sabe o que está fazendo.

O som e as letras do Cachorro Grande estão tomando caminhos opostos: os arranjos estão ficando mais elaborados, enquanto as letras ficam mais simples e diretas. A operação é diferente, mas a soma é sempre suficiente para manter a banda bem equilibrada entre o psicodélico e o radiofônico. Um bom exemplo é “Roda Gigante”, deliciosa tortinha com cobertura doce e recheio ácido.

O segredo para não tropeçar de nenhum dos lados (pop bobinho ou lisergia inocente) é o cuidado com o som. O fato de o disco ter sido gravado praticamente ao vivo poderia mostrar que a banda não se preocupa com detalhes, mas, pelo contrário, prova que a banda está afinada nos mínimos detalhes. O primeiro single, “Me faz continuar”, não seria o mesmo sem o cuidadoso charme do violão steel misturado com bateria eletrônica.

Todos os Tempos é disparado o disco mais Oasis do Cachorro Grande. As músicas lembram especialmente o CD Standing on The Shoulder of Giants (2000), em que os irmãos Gallagher gastaram toda sua herança dos Stone Roses. Isso não significa que Beto quer ser Liam, mas que eles têm coleções de discos parecidas, de todos os tempos - de John a Ian. O riff e o solo de guitarra de “Sandro” também mostra que Marcelo deve ter vários álbuns iguais ao de Noel.

Um ponto forte e ao mesmo tempo fraco de Todos os Tempos é a democratização do microfone. O baixista Rodolfo Krieger canta em “Deixa Fudê”, o guitarrista Marcelo Gross em “O que você tem” e o baterista Gabriel Azambuja em "Nada pra fazer". Refresca os ouvidos ter quatro vocalistas diferentes. Rodolfo e Marcelo reforçam a parte pesada do disco, mas a faixa de Gabriel é a mais sonolenta que a banda já gravou. “Nunca vai mudar”, com Beto nos vocais, também convida a um cochilo. Mas “Quando amanhecer” logo te acorda, cheia do humor involuntário do Cachorro Grande, uma música que faz cosquinha.

Mas eles continuam abrindo a garrafa de cerveja

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