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A poesia do papel de bala

26.06.07

por Braulio Lorentz

Maroon 5 – It Won't Be Soon Before Long

(Universal, 2007)

Top 3: “Better That We Break”, “Back At Your Door” e “Won't Go Home Without You”.

Princípio Ativo:
Icekiss sem gosto

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Acontece com todo mundo. Quando você pega o segundo disco de uma banda, é natural começar uma busca por faixas que correspondam às do CD anterior.

Esse tipo de procura tende à frustração em It Won't Be Soon Before Long, sucessor do estourado álbum de estréia do Maroon 5. Os hits de Songs About Jane piscam pras doze novas músicas, que – em vez de responderem ao flerte – olham pro lado e continuam dançando como se não fosse com elas. Nenhuma faixa deste lançamento é tão auto-colante como "This Love", tão obviamente romântica como "She Will Be Loved" ou tem um swing de FM tão gostosinho como o de "Sunday Morning".

It Won't Be Soon Before Long começa respingando batidas com um trio de músicas que tem liga. "If I Never See Your Face Again", "Makes Me Wonder" e "Little of Your Time" com certeza usariam gel se tivessem cabelo. O clima de quebradeira comedida e playboy tem fim com a primeira música decente do CD. "Won't Go Home Without You" provocaria ainda mais suspiros se não soasse tanto como a irmã caçula de “Every Breath You Take”, do Police.

Adam Levine, fruto de uma ménage à trois entre Sting, Dinho Ouro Preto e Rob Thomas, continua mandando bem no vocal, que caminha na corda bamba sem cair pro lado do pop rock adolescente ou pro canto do pop adulto contemporâneo. Em sua faceta sempre menos inspirada, Levine ainda parece querer colocar o maior número de recadinhos-de-figurinha-de-bala-icekiss que possa encaixar em cada uma de suas letras. “Goodnight Goodnight” deixa vermelhas as bochechas das pessoas de bom senso. Seja por causa de confissões (“Eu lambi minhas feridas e não consigo me ver melhorando”) ou pelas descrições de cenas (“O cabelo dela estava pressionado contra seu rosto”).

Quem acredita em milagres fica até o fim do álbum e esbarra com “Better That We Break” (praticamente uma lição de como não dar um fora) e “Back At Your Door” (praticamente uma lição de como não receber um fora). Essa última, creditada ao tecladista Jesse Carmichael, é a única composição que não é de Levine.

Não é a coisa mais fácil do mundo engolir a pieguice poética do apertador de teclas e, principalmente, do vocalista do Maroon 5, mas dá pra notar que ambas as músicas dariam um belo caldo com um letrista melhorzinho. A sopa até que não é das piores. O problema são as letrinhas. “Com toda palavra inútil, a gente se distancia”, canta Adam em “Nothing Lasts Forever”. Se serve pra ele, serve pra mim.

O primeiro disco dá um banho no segundo

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