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tamanhão

19.07.07

por Rodrigo Campanella

Transformers

(Estados Unidos, 2007)

Dir.: Michael Bay
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, John Turturro, Jon Voight, Rachael Taylor

Princípio Ativo:
riscos e rascunhos

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DEZ METROS

é o tamanho médio de um Transformer em modo robô. E num filme coordenado por Michael Bay (A Ilha), já se entra desconfiado que: A) o roteiro foi encomenda de uma firma de demolição tentando faturar e B) a qualidade dos diálogos e do conto da carochinha será inversamente proporcional ao tamanhão dos brinquedos visuais e explosivos.

A) e B) estão confirmados ao fim do filme – e a firma de demolição lotou o cofre. Provavelmente nem sobrou verba para contratar alguém que fizesse um roteiro a partir do rascunho de história. E como, ainda assim, “Transformers” é um bom parque de diversões, a resposta deve estar nos

2.340 quilômetros

de notas de dez dólares enfileiradas, ou cento e cinqüenta milhões de dólares, gastos na produção. Algo feito com essa grana não quer ser um filme “aventura” ou “ação”, nem mesmo um ‘filme’. O que “Transformers” roda na tela é um brinquedo visual com tecnologia top, para adolescentes e adultos.

Não é para contar história mas para dilatar a pupila, sacudir a sala usando os graves do som, lambuzar o olho numa seqüência impressionante de texturas mecânicas.

Na nossa cultura, que entrega excitação fácil, barata e cada vez mais brochante, “Transformers” vende ingresso prometendo potência, Viagra para o ânimo. Quando entrega como remédio mais do veneno – fácil, barato – é o engano de sempre. E durante

3.960 metros

de película no projetor, há espaço suficiente para perceber o quanto cansa a falta da historinha, com Michael Bay investindo forte na direção de publicidade: boas soluções visuais, merchandising na tela, piadas rápidas e uma narrativa medíocre para uma sub-sinopse. É um diretor de linha de produção. E nesse lugar onde tudo tem a escala de

dez metros,

o que faz a experiência começar a valer a pena é a comédia-família do início, bem-tocada em ritmo de sitcom e fazendo troça com as horas-clichê de um filme tão “Bay”, onde o tamanho do motor compete importância com a mocinha. O romantismo melado do ‘herói’, a tara do motor possante, robôs-gigantes passeando pelo quintal, sexualidade com freio de cavalo, sub-adversários ridículos – a piada não pára.

E se esse jogo da potência é antigo, aqui ele é jogado em computação gráfica. E isso pode render constrangimentos – ou os robozões de “Transformers”. Sem a obrigação de parecerem reais, eles evoluem pela tela numa forma de arte abstrata estranhamente bela. Como se do esboço em movimento fundindo linhas mecânicas e formas humanas com traços pontudos e cinzentos rasgando o ar pudesse nascer uma graciosidade inesperada.

Adolescentes em crise milionários que viram astros de cinema
e tornam-se amigos de robôs gigantes ouvem Strokes.

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