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29.07.07

por Braulio Lorentz

Kelly Clarkson – My December

(SonyBMG, 2007)

Top 3: “Yeah”, “Don't Waste Your Time” e “How I Feel”.

Princípio Ativo:
Gritaria

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Você pode ouvir o disco anterior da norte-americana Kelly Clarkson e não achar grande coisa. Mas é fácil notar que Breakaway é uma coleção de canções para embalar o dia a dia da vovó, da mamãe e da netinha. Rocks de “show de calouros” fizeram da moça a artista mais tocada em rádios no Brasil. Com os sucessos “Because of you” e “Breakaway”, Clarkson fez com que My December fosse rodeado de expectativas. A garota vive tempos de agonia e teve que adiar sua turnê de verão nos Estados Unidos. Os ingressos encalhados colocaram uma pulga atrás da orelha do diretor da RCA Records, Clive Davis. Outra pulga, no entanto, incomoda mais: a cantora bateu o pé e não aceitou “sugestões” no repertório deste novo álbum.

A orelha de Davis deve estar com uma coceira insuportável. O primeiro single – a desesperada “Never Again”, que abre o CD – não foi tão bem nas paradas. A escolhida para salvar a pátria é a ainda mais soturna “Sober”, uma “Because of you” com lápis preto ao redor dos olhos. A balada alcançou uma modesta 93ª posição na Hot 100 da Billboard norte-americana. O pior veio uma semana depois: o single pulou pra fora da lista. O disco tem desempenho melhor no hot 200 da mesma Billboard: já ficou na segunda e na quinta posições, mas hoje ocupa a 11ª.

As vendagens meio capengas poderiam conviver em paz com o sorriso do ouvinte fã de sons autorais, sombrios e, digamos, ruidosos. Mas não é bem o caso. As músicas do terceiro disco da vencedora do primeiro American Idol descem arranhando o ouvido. My December tem intermináveis 54 minutos. Ouvi-lo pode te fazer uma pessoa menos feliz. É de se lamentar que uma voz tão bem adestrada e virtuosa só marque gols de honra aos 42 e 44 do segundo tempo, com as agradáveis “How I Feel” e “Yeah”.

O álbum é desespero do começo ao final. A voz de Kelly é ora metralhadora (“Judas”), ora é pistola com silenciador (“Be Still”). O resultado, mesmo com a já citada precisão vocal, é o mesmo: você morrerá de tédio. O mundo não precisa de outra Amy Lee (“Haunted”), e não é gritando por ajuda (em “Hole”) que Clarkson vai se safar da pressão. Se ela entrar numa sala de aula e der duas opções – arranhar o quadro com as unhas ou cantar as canções de My December – escolha a primeira.

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