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A estética do deixa disso

02.08.07

por Rodrigo Campanella

Luzes do Além

(White Noise 2: The Light, Estados Unidos/Canadá, 2007)

Dir.: Patrick Lussier
Elenco: Nathan Fillion, Craig Fairbrass, Katee Sackhoff, Rebecca Dale

Princípio Ativo:
mediocridade serial

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Roteiro, pra quê roteiro?

“Luzes do Além” é um filme de susto, não de botar medo. Quem for capaz de entrar na onda, ignorando a má-qualidade do material, ganha uns quatro pulos da cadeira como brinde, no máximo. Porque ali pela quinta tentativa de susto é mais fácil você começar a rir.

A história é a do pequeno empresário Abe Dale, dono de uma empresa de não se sabe o quê. Após ter mulher e filho assassinados sem motivo aparente por um desconhecido, ele parte para uma overdose de remédios. Ressuscitado na mesa do hospital, Abe descobre que virou um GPS para o mundo dos mortos. Pessoas à beira da morte agora aparecem recobertas de luz amarela e os falecidos são vistos andando na rua. Claro, ele vai tentar salvar quem aparece iluminado. E, óbvio, isso vai dar errado e gerar uma maldição mal-explicada de quebra.

Atores, pra quê atores?

Talvez numa estratégia sutil e incompreendida da obra do diretor Patrick Lussier (Drácula 2000), Abe, a mulher, o filho, o assassino e praticamente todos que aparecem na tela atuam como zumbis desde a primeira cena. A tentativa de morrer enchendo a cara de tranqüilizantes é quase um pleonasmo.

Para quem não sabe da piada, “Luzes do Além” é a continuação torta de “Vozes do Além”, filme em que era a tv de Michael Keaton – e não o próprio Keaton – que virava um radar de fantasmas. Comparado com esse, o filme anterior é um primor do bom senso. Comparado com o anterior, “Luzes do Além” é a mais sem-vergonha continuação de um filme que teve algum sucesso. Difícil acreditar que exibiram isso no cinema, e não direto na tv.

Sentido, pra quê sentido?

Se “Luzes” tem algo de horripilante não é exatamente por mérito artístico ou técnico. É que no meio de tanto deixa disso – com o roteiro, os atores, a história, a montagem – ele resolve transformar gente em lixo para virar fantasma reciclado. Não é a morte dominó dos filmes de ação. É a matança de um filme onde a vida é simplesmente um obstáculo de roteiro. Você não sente pelos personagens – sente por si mesmo, nesse lugar onde a vida é tratada como uma coisa tão vagabunda que assassinar alguém ganha ares de quase uma boa ação. Se há um serial killer à solta, ele não é uma maldição do demônio: é o próprio filme.

Abe Dale acabou de assistir ao filme

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