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Guerra dos Mundos

06.12.07

por Igor Costoli

Planeta Terror

(Planet Terror, EUA, 2007)

Dir.: Robert Rodriguez
Elenco: Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Josh Brolin, Marley Shelton, Jeff Fahey, Bruce Willis, Naveen Andrews

Princípio Ativo:
Amigos com dinheiro

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Rodriguez e Tarantino têm várias qualidades. Uma delas é transformar adjetivos pejorativos atribuídos a eles em elogios. Se você achou esse parágrafo

estranho,

então está no caminho de me entender. Ser estranho é uma qualidade dos dois. Amigos comuns sentam num bar, tomam cerveja, e têm idéias malucas de coisas divertidas que gostariam de fazer se tivessem dinheiro. Depois de uma filmografia respeitável, Tarants e Rodriguez têm grana de sobra: quando têm uma idéia maluca, colocam-na em prática. Isso é meio

pitoresco

e talvez por isso, divertido. Originalmente, o projeto Grindhouse foi pensado para ser um único evento, uma homenagem. O nome vem dos antigos cinemas do interior dos Estados Unidos e que acabou batizando os filmes exibidos aí. Como eram palácios construídos no boom dos anos 30 e 40, entraram em deterioração lá pela década de 60, quando o público sumiu. A saída: lançar programas duplos ou triplos de filmes

tipo B

de baixo orçamento e muita liberdade, pelo preço de um único bilhete. Como a resposta dos cinemas americanos ao Grindhouse anos 2000 não foi lá essas coisas, as distribuidoras resolveram lançá-los separadamente. “Planeta Terror”, de Rodriguez, viaja pelo universo dos zumbis, mas seu grande trunfo é não se levar a sério. Quando Cherry Darling (McGowan) ganha sua primeira “prótese” de El Wray (F. Rodriguez):

- Você podia ter me esperado. Eu estou com uma perna de madeira.
- E daí?
- Eu acabei lascando ela na porta...


Um vírus, de origem posteriormente (mal) explicada, causa o surgimento de zumbis pelo Texas. Um grupo de pessoas imune a ele precisa fugir atrás de sobrevivência. Nada se esclarece de modo muito convincente: nem o desenvolvimento nem a resolução final, e tudo isso é de propósito. Rodriguez se esbalda com belos planos, mas sua diversão maior é trabalhar a maquiagem e situações

grotescas

usando tecnologia de ponta nos efeitos visuais, desde os fantásticos e exagerados, até a simulação de desgaste na película, dando uma envelhecida fajuta e picareta a seu longa. É menos um filme de terror e mais um filme de ação, além de ser (perdoe a aparente incoerência) intencionalmente uma comédia acidental. Um filme em que um dos elementos mais divertidos é o humor

perverso

do diretor, com participação especial de Tarantino indo ao encontro da misoginia reinante nos Grindhouse americanos, em que qualquer argumento absurdo se justificava para mutilar uma mulher ou atacá-la, desde que a expectativa de sua nudez fosse saciada. “Planeta Terror” é diversão pura, mas fica devendo um pouco em comparação com seu irmão gêmeo.

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À Prova de Morte
Sin City
Mandando bala

E daí se ela manca?

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