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O homem que degolava

07.02.08

por Igor Costoli

Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco...

( Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007)

Dir.: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen, Ed Sanders

Princípio Ativo:
Bebendo direto na fonte: a jugular

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A história do barbeiro demoníaco da rua Fleet é daqueles casos onde, “entre a verdade e a lenda, publique-se a lenda”. Em mais de 150 anos, o rival de Jack, O Estripador, sofreu modificações em sua narrativa, sendo a mais importante a do dramaturgo britânico Christopher Bond, que incluiu a vingança como combustível do impulso assassino de Todd.

Helena Bonham Carter dá carne humana à sra. Lovett, uma mulher apaixonada por Benjamin Barker, um homem injustamente condenado à prisão para que o juiz Trupin pudesse se apossar de sua família. Não conhecemos Barker, vemos apenas em que se transformou:

- Not Barker. Sweeney Todd, now. And he shall have his revenge.

Johnny Depp ganha mais um ponto em sua já brilhante carreira. Todd não é um homem atormentado, é um morto que anda, e por contraditório que pareça, sua opacidade no olhar traz vida à força que o move.

- At last! My arm is complete again!

As sombras servem para destacar onde se joga a luz. O colete negro de Todd ressalta o branco de suas mangas, o braço cuja extremidade opera a diabólica missão. As cores retiradas digitalmente dão mais vida ao sangue, em uma Londres sombria como a Gothan do próprio Burton.

A fonte direta é o musical de 1979, verdadeiro clássico. Dele vem Stephen Sondhein, autor das brilhantes canções originais, e que bebeu em outra grande fonte: inspirou-se em Bernard Herrmann, autor da trilha de Psicose e Os Pássaros, para que as sombras e a tensão se impusessem no musical. Sondhein trabalhou com John Logan na elaboração do roteiro, e a opção por atores que cantassem em vez de cantores que atuassem fez bem à adaptação, além de gerar uma louvável descoberta – um Depp cantor.

- How about a shave?

Ao contrário de Toby (Sanders), que se mostra interessante e importante para a trama a partir da segunda metade, Johanna e Anthony (Wisener e Campbell), mesmo bons cantores, não conseguem decolar. Destaque para os improváveis: Baron Cohen e Rickman – o primeiro, porque dá o tom cômico necessário a seu papel, e o segundo, porque nunca imaginei o Paranoid Android cantando.

Ao contrário de Noiva Cadáver, que era um filme com canções, este é, indubitavelmente, um musical. Assumidamente, não gosto de musicais. Das várias formas de se contar uma história, cantar é a que menos me agrada. Entretanto, se coloco este filme em companhia de uma outra exceção, é porque a dosagem de humor negro à macabra história de tragédia (no sentido clássico) com aura de fábula, crava em Sweeney Todd a inegável assinatura de Tim Burton.


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