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Duro. E de matar.

02.03.08

por Igor Costoli

Rambo IV

(Rambo, Alemanha/EUA, 2008)

Dir.: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Julie Benz, Paul Schulze, Matthew Marsden, Graham McTavish, Ken Howard e Jake Labotz

Princípio Ativo:
O mito e seus efeitos especiais

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Rambo IV poderia ser avaliado apenas pelo que realmente é – um exercício visual de violência. Deixar de avaliá-lo como cinema seria, no entanto, desconsiderar que ao menos Rambo – Programado para Matar, que iniciou a série em 1982, possui algo que o eleva à categoria de filme.

John Rambo vive agora na Tailândia. Marginalizado em seu próprio país, o veterano se refugiou no trabalho como barqueiro numa pequena aldeia. Ele é procurado por missionários norte-americanos que pretendem chegar à região bélica da Birmânia pelo rio Salween. Quando o grupo é capturado pelo exército local, Rambo atravessará a fronteira para salvá-los - ele foge da guerra, mas a guerra está dentro dele.

Ao pesquisar sobre o sangrento e pouco divulgado conflito civil, Stallone apoiou-se em uma boa intenção – chamar atenção do mundo para o drama das tribos Karen – mas acabou por criar outro retrato curioso: o das missões humanitárias como um reduto de idiotas. De modo que o personagem de Paul Schulze, líder do grupo, sequer subiu à balsa e já sentimos vontade de matá-lo.

Além disso, as atuações sofríveis também são culpa do roteirista Stallone, que distribuiu diálogos ridículos aos poucos atores à sua volta. Rambo é a personagem que se preserva, exatamente por possuir poucas falas, e se expressar pela única face que sobrou ao rosto paralisado de Sly (como é conhecido nos EUA).

Em termos de ação, Rambo IV atende a um público que foi ao cinema se empanturrar de violência. Tenta ser para a geração do "Counter Striker" e do "you tube" o que o filme de 1982 foi para aquela geração. Mas erra a mão, tanto que a paleta de cores de Glen McPherson mais parece saída de Jogos Mortais que de “Falcão Negro em Perigo”.

Homônimo à obra que o inspirou (First Blood, de David Morrell), Programado para Matar possuía um forte conteúdo crítico. Mas também é certo que as continuações trocaram o drama humano pelo sangue. Visto com atenção, nota-se que há apenas uma morte no primeiro filme, número que sobe para 44 na continuação (Rambo II – A Missão), e chega a 236 nesta quarta aventura. O anunciado “resgate da primeira obra”, também por outras razões, não acontece.

Se fosse mesmo uma homenagem à série, em vez de uma tentativa sangrenta de arrecadar dinheiro, talvez fosse um evento cinematográfico digno de nota - além de mais honesto. A mistura de ação e tema original deveria arrepiar os antigos fãs, e não os decepcionar. O filme per se é irregular. Em comparação com o que poderia ter sido, é bem ruim. E comparado com o que disse ser, é péssimo.


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