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O retorno da (quase) múmia

24.05.08

por Daniel Oliveira

Indiana Jones e o reino da Caveira de Cristal

(Kingdom of the Crystal Skull, EUA, 2008)

Dir.: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Cate Blanchett, Shia LaBeouf, Marion Ravenwood, John Hurt, Ray Winstone, Jim Broadbent

Princípio Ativo:
a trilha de John Williams

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“Indiana Jones e o reino da Caveira de Cristal” é

um filme de George Lucas
do tipo em que a trama é mera desculpa para desdobramentos novelescos na vida de Indy. 19 anos depois dos acontecimentos de “A última cruzada”, o professor é envolvido numa disputa EUA x URSS no meio da Guerra Fria, em busca da caveira do título, que pode trazer uma série de poderes ao seu portador.

Como nos filmes de Lucas, os personagens são rasos e mal desenvolvidos, com exceção de Jones. É mais fácil fazer de Mutt Williams (LaBeouf, quase um rebelde sem causa) uma paródia de James Dean; e da vilã Irina (Blanchett) uma comunista sociopata. Mac (Winstone) é uma desculpa vergonhosa para reviravoltas no roteiro.

Mas é também

um filme de Steven Spielberg
que compensa as falhas com a ajuda de um bom elenco, recitando um roteiro bobo, e um visual de encher os olhos. Mérito de Janusz Kaminski (parceiro do cineasta desde “A lista de Schindler”), que cria planos como aquele em que Irina e Indy discutem sobre a caveira em uma cabana. A luz cria uma sombra ampliada de suas cabeças, símbolo do próprio artefato, além de denotar o caráter ‘sobre-humano’ da mitologia.

O mistério da tal caveira de cristal, porém, é muito fraco. E quando desdobramentos extraterrestres se somam à história pré-colombiana, ele fica difícil de engolir. A série nunca foi um paradigma de realismo – e grande parte de sua graça residia nisso. Mas em “RdCdC”, o clima de matinê dos anos 40, charmoso no começo, não entrega o que promete. A chegada de Marion Ravenwood (Allen), a mocinha de “Caçadores da Arca Perdida”, no meio do filme e sua boa química com Harrison Ford melhoram o ritmo. Mas faltam cenas realmente engraçadas e os diálogos são pouco inspirados, com raras exceções. Reflexo claro da troca do roteirista anterior Philip Kaufman (A insustentável leveza do ser) por David Koepp (Zathura).

As cenas de ação são bem comandadas, ainda que falte o frescor da trilogia original, copiada exaustivamente nos últimos 20 anos. “RdCdC” não tem nenhuma seqüência para o hall sagrado do cinema, como a bola gigante do primeiro longa. E talvez o problema seja este: Indiana Jones era um mero produto comercial, que acabou se tornando um ícone cinematográfico – e só o tempo, que operou essa transformação, dirá se “O reino...” conseguiu envelhecer bem como seus antecessores.

Eu acho difícil e, por isso, “RdCdC” é mais

um filme de Harrison Ford
que prova ainda manusear o Fedora e ser um astro de ação melhor que 95% da concorrência atual. É um veículo digno para um astro que, nos últimos tempos, tem sido obrigado a fazer bombas como essa.

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